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Família de desaparecido no Lago de Furnas há 1 ano cobra solução do caso

Ézio Santos/ Especial

28 de junho de 2021

família de Felipe Tadeu benedito cobra resposta sobre o desaparecimento do jovem que ocorreu no dia 27 de julho de 2020

CARMO R. CLARO – “Deus não dorme, por isso ainda tenho muita fé nele e a qualquer hora vai me responder onde está meu filho”. A frase de esperança foi dita por Maria Lúcia Benedito, na véspera de completar um ano do desaparecimento de Felipe Tadeu Benedito, de 30 anos, desaparecido nas águas do Lago de Furnas no início da noite do dia 27 de junho de 2020, quando estava na companhia de outras pessoas e voltava de um passeio de balsa que tinha como destino a marina paralela à ponte do Rio Turvo, no município de Capitólio.

As informações colhidas nos dias seguintes ao desaparecimento eram de que, por volta das 20h30, Felipe teria pulado da lancha ainda em movimento. Nela, estavam outras nove pessoas, alguns amigos, incluindo o piloto e proprietário da lancha. Segundo testemunhas, ao cair nas águas, ele não mais foi visto, nem sequer foram ouvidos pedidos de socorro.

“Não tenho mais palavras para descrever o que sinto desde quando não vi meu filho, a não ser sofrimento, tristeza, angústia, agonia. O que aconteceu com o Felipe? Ninguém nos deu resposta até hoje se ele está vivo, e nem a prova concreta de sua morte. Para mim, tudo são suposições das autoridades que ainda cuidam do caso. Me deixa totalmente em dúvida, é saber que depois desse tempo todo, se ele realmente morreu, como disse o delegado de Passos, e não poder ao menos realizar o velório”, declarou a mãe.

Para Maria Lúcia, casada com Sebastião Benedito, de 74 anos, ainda faltam coisas a serem feitas e achar, comprovadamente, ao menos parte do corpo filho.

“Se dependesse da gente, com todas as condições que a polícia tem, já teríamos achado o corpo dele. Os supostos colegas ou amigos que estavam com o Felipe na lancha não foram punidos e estão aí na farra”, afirma.

Através de relatos sobre o acidente, Maria Lúcia alega que alguém cometeu crime contra seu filho, mas não soube dizer como, e tem duas versões sobre o que possa ter acontecido.

“Pessoas maldosas o pegaram e levaram para um lugar bem longe daqui, ou fizeram algo bem grave que tirasse a vida dele. Se o delegado de Passos falou que Felipe morreu afogado, depois de 17 dias de buscas, o corpo tinha que ter sido encontrado, ao menos boiando nas águas”, diz a mãe do rapaz desaparecido.

Felipe, que iria comemorar 31 anos dia 27 de abril, deixou três irmãos. O cuidador de idosos José Rodrigo Benedito afirmou que não acredita na justiça dos homens.

“Tem falha nas investigações. Isso está claro porque o corpo do Felipe não foi localizado. Quando ocorreu o acidente, onde tinham outras pessoas com ele, se a polícia não encontrou indícios de que algo errado possa ter acontecido, é no mínimo estranho. Se meu irmão realmente morreu, cadê seu corpo? Em todos os afogamentos que fico sabendo na até, as vítimas foram encontras”, declarou.

A reportagem obteve informação do delegado regional de Passos, Marcos Pimenta, de que o Inquérito Policial foi enviado ao Poder Judiciário de Piumhi. Na tarde de sexta-feira, por telefone, uma atendente da 2ª Vara Criminal do Fórum revelou que o documento tinha sido remetido para a Delegacia de Polícia Civil do município. Várias tentativas foram realizadas com o objetivo de falar com os três delegados lotados na Comarca de Piumhi, mas sem sucesso.