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Conselho aponta subnotificação de violência infantil na pandemia

30 de abril de 2021

Em Passos, foram registrados 415 casos de violência infantil em 2020. / Foto: Divulgação

PASSOS – O número de denúncias de casos de violência contra crianças e adolescentes registrado pelo Conselho Tutelar em Passos diminuiu de 520 para 415 entre 2019 e 2020, mas o órgão aponta que pode ter havido subnotificação por conta da falta de aulas presenciais. A escola e os professores são apontados como principais aliados na identificação e no combate a este tipo de crime.

Segundo a conselheira Elange Costa Pereira, o receio é que tenha ocorrido aumento nos casos desde o início da pandemia.

A violência pode estar acontecendo bem mais do que o normal, porém, não chega até nós. A escola é a nossa maior aliada no combate à violência infantil, pois o professor pode ter mais contato com a criança do que os pais, identificar sinais e denunciar ao conselho. Sem a escola e serviços de saúde, fica difícil de ter denúncias”, afirma.

De acordo com informações do Conselho Tutelar, os comunicados sobre casos de maus-tratos caíram de 272 para 114 e os de abandono diminuíram de 51 para 17 entre 2019 e o ano passado. As notificações de violência sexual aumentaram, de 49 para 59 e as de negligência subiram de 148 para 225 no mesmo período.

De acordo com informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), nos três primeiros meses de 2021, Minas Gerais registrou 2.632 casos de agressão e lesão corporal contra crianças e adolescentes de até 17 anos, uma média de cerca de 30 casos por dia. A Secretária de Educação de Passos, Jane Fernandes Hespanhol afirma que está sendo implementado um projeto nas escolas municipais e estaduais para que haja mais reuniões online e conversas sobre convivência em casa.

É muito difícil conseguir reconhecer casos de violências por meio do ensino remoto. Na maioria das escolas, os contatos entre professores e alunos acontecem por videochamada e o retorno da família para nós também é em vídeo ou foto. O máximo que conseguimos é ver vídeos dos alunos fazendo atividade. Por isso, estamos planejando criar mais momentos de interação e conversas sobre rotina para que, caso haja alguma agressão contra a criança, a gente consiga identificar melhor, até que as aulas presenciais retornem”, afirma.

De acordo com a Sejusp, para denunciar violação dos diretos da criança e do adolescente as pessoas podem utilizar o Disque 100, que é um serviço do governo federal vinculado à Secretaria de Direitos Humanos. O Disque 100 recebe denúncias de forma anônima e encaminha o assunto aos órgãos competentes no município de origem da criança ou do adolescente.

A ligação pode ser feita de qualquer parte do Brasil, é gratuita, anônima e com atendimento 24 horas, todos os dias da semana. Segundo o Conselho Tutelar em Passos, as denúncias também podem ser encaminhadas à Polícia Militar, pelo telefone 190, diretamente ao conselho, pelos telefones (35) 3522-7231 ou 999 853 759, ou por meio do Cras e do Creas.


Psicóloga orienta como lidar com crianças em situação de risco

PASSOS – A psicóloga clínica e especialista em saúde mental Heloísa Cristina Silva afirma que a violência sofrida por uma criança pode acarretar dificuldades emocionais, psicológicas e cognitivas durante a vida.

Insultos, chantagem emocional, humilhação e agressões físicas trazem efeitos na autoestima das crianças e dos adolescentes, que sentirão suas consequências durante a vida adulta. Um dos principais alertas para se observar é a mudança drástica de comportamento. Por exemplo, a ansiedade, transtornos depressivos, baixo desempenho na escola e nas tarefas de casa, alterações de memória, comportamento agressivo e violento”, afirma Heloísa.

Segundo ela, a acolhida de uma criança em caso de suspeita de violência é essencial.

É necessário se aproximar, compartilhar brincadeiras, tentar conversar. Se houver desconforto da criança, deve-se respeitar o tempo dela. Quando a criança escolhe não falar, a recomendação é o encaminhamento para profissional especializado em escuta acolhedora, como psicólogos, médicos, pedagogos e demais profissionais da rede de saúde como um todo”, disse.

A psicóloga também afirma que é importante ter acompanhar a criança para identificar uma situação de abuso ou violência.

A criança vítima de alguma violência já se encontra com dificuldades em estabelecer confiança, por isso o acolhimento da família, amigos, escola e profissionais é essencial. Diante da suspeita ou confirmação de uma violência é necessário acionar os órgãos responsáveis por receber denúncias de violência contra crianças e adolescentes”, aponta ela.