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Clínica para dependentes químicos é interditada em Passos

30 de junho de 2021

clínica investigada por suposta prática de tortura por ex-funcionário é interditada em passos

PASSOS – A Vigilância Sanitária de Passos interditou administrativamente a Clínica 12 Pilares que funciona há pouco mais de um ano e vem sendo investigada por suposta tortura praticada por um ex-funcionário a um dos internos. O caso está sendo apurado há três meses e teria ocorrido já há oito meses. Participaram da interdição, na manhã desta terça-feira, 29, o Ministério Público, os responsáveis pela área de saúde mental da Prefeitura de Passos e a Polícia Civil.

De acordo com o delegado regional, Marcos Pimenta, a clínica tem 72 horas para destinar os internos para familiares ou alguma outra instituição de reabilitação próxima. Não houve flagrantes e ninguém foi preso.

“Nós cumprimos mandado de busca e apreensão na clínica onde foram apreendidos documentos de internos/residentes, medicamentos, dentre outros. Na oportunidade, a Polícia Civil realizou perícia no complexo da clínica, sendo possível diagnosticar que o vídeo contendo tortura de um interno foi realizado em uma das salas do local. O vídeo é de outubro de 2020 e foi divulgado recentemente em mídias sociais”, disse o delegado.

As diligências contaram com a participação do promotor de Justiça Márcio Kakumoto, integrantes da Vigilância Sanitária, Assistência Social e Saúde Mental de Passos.

Ainda conforme o delegado, os membros da operação se reuniram na delegacia e se deslocaram para a clínica visando encontrar documentos para angariar maior número possível de internos, para as oitivas que serão agendadas para os próximos dias.

“Foi feita uma perícia para constatar onde foi realizada a violência e se foi na clínica mesmo. Além disso, foi bom para termos contato com as pessoas que ali estão”, afirmou Pimenta.

O delegado também informou que esta foi uma interdição cautelar. Segundo o delegado, algumas irregularidades foram constatadas.

“No local, não podia ter interno do sexo feminino e nem sequer podia ter internos de maneira coercitiva, obrigatória e nós vislumbramos a presença de várias pessoas lá. Também foram apreendidos medicamentos. Não havia médicos e nem enfermeiros no local. Vamos ter cautela para ouvir todas as pessoas que foram vitimadas. A gente quer saber se havia tortura lá ou se foi um caso ímpar”, afirmou.

A Folha tentou, por telefone, falar com a proprietária da clínica, Gleida Dias, mas não obteve retorno das ligações nem de mensagens enviadas.