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Casos de fraude sobem de 45 para 115 em Passos

Por Stéfany Dias / Especial

8 de julho de 2021

Foto: Divulgação

PASSOS – O número de denúncias de fraudes que envolvem a utilização criminosa de dados pessoais, como empréstimos consignados sem autorização, por exemplo, tem aumentado em Passos desde o início da pandemia de covid-19. No Procon Municipal da cidade, 115 ocorrências foram registradas desde o início de 2020 e, em 2019, foram 45 casos. De acordo com informações do órgão, os aposentados são as principais vítimas dos golpes e, diariamente, são atendidos de dois a três consumidores com reclamações desse tipo.

No Procon, trabalhamos muito com esse tipo de acontecimento. Na maioria das vezes são consumidores que chegam aqui com números de telefone que nunca tiveram, empréstimos consignados que nunca foram solicitados, compras em cartão de crédito que não foram realizadas. Durante a pandemia, principalmente com empréstimos consignados, houve uma demanda muito alta. Aumentou muito em relação ao que era antes”, afirma a Coordenadora do Procon Municipal, Gabriela Marques Lemos.

Entre os principais golpes registrados está o empréstimo consignado sem autorização dos consumidores, que na maioria das vezes são idosos, afirma Gabriela. Segundo ela, os casos de números de telefone e planos de celulares que são realizados sem consentimento e de compras efetuadas com cartão, sem conhecimento dos consumidores, também aparecem entre os ocorrências mais atendidas no Procon Municipal.

Segundo a Polícia Civil, os casos de fraude patrimonial em ambiente cibernético têm aumentado desde o início da pandemia.

Sem dúvida, o cenário de pandemia, associado a instabilidades de outras naturezas, não necessariamente sanitárias, ensejou ambiente favorável para pessoas mal-intencionadas. Sobretudo, na exploração de vulnerabilidades econômicas e de relações pessoais através de redes sociais”, afirmou o delegado Felipe de Souza Capute.

De acordo com ele, os registros de fraude já ultrapassam outras modalidades tradicionais, como uso de moeda falsa ou falsificação de cheques.

Outro crime muito comum em ambiente virtual é referente ao comércio eletrônico de mercadorias, que possui em comum a oferta de bens de consumo com preço abaixo da média”, disse Capute.

Para o delegado, a legislação em relação aos crimes cibernéticos precisa avançar mais.

A legislação tem se adequado aos poucos aos fatos criminosos em ambiente virtual, entretanto, não no mesmo ritmo das práticas ilícitas. Esse hiato legislativo que contrasta com a realidade também propicia fatores de impunidade aos criminosos. Entendo que a legislação é deficiente quanto aos instrumentos investigativos, notadamente nas medidas de urgência e de obtenção de dados básicos dos suspeitos, submetendo a investigação à burocracia procedimental típica do Poder Judiciário”, afirma Capute.


Consumidores devem desconfiar de promessas muito vantajosas, diz delegado

PASSOS – Para o delegado Felipe de Souza Capute, as pessoas devem desconfiar de ofertas de empréstimos que parecem muito vantajosas em relação ao mercado.

Os criminosos, na maioria das vezes, beneficiam-se de fragilidades dos seus alvos. Os relatos mais habituais dizem respeito à contratação de financiamento ou empréstimos fraudulentos, de maneira que as vítimas são atraídas por condições impraticáveis no mercado regular. Nesse aspecto, especificamente, pois as vítimas não costumam possuir linha de crédito vantajosa em agências bancárias, os criminosos possuem sucesso ao oferecer taxas e condições de pagamento que acabam por ser o fator determinante para enganar as pessoas”, alerta Capute.

Ele também orienta os consumidores a ter senso crítico para se precaver e aprender a reconhecer possíveis situações de crime em ambiente virtual.

O usuário precisa aprimorar seu senso crítico perante as variadas situações. Precisa reconhecer que seus dados pessoais, caso sejam solicitados, devem ser restritos àquela situação específica, por exemplo, não enviar fotos pessoais, imagens de documentos e outros dados alheios ao momento. É importante também se atentar para cobranças de taxas de contratação que factualmente não existem ou não há razão para existirem, por fim, os criminosos usualmente utilizam contas falsas, mas em nome de pessoas físicas, o que não corresponderia com a verdade em uma contratação de empréstimo bancário para exigir depósitos fraudulentos”, orienta o delegado.

De acordo com a coordenadora do Procon Municipal de Passos, Gabriela Marques Lemos, as pessoas devem ficar atentas às faturas de cartões de crédito e extratos bancários.

As principais recomendações para não cair nesse tipo de fraude é sempre ficar de olho nas faturas do cartão, observar extratos bancários em casos de pensionistas, aposentados ou mesmo em questão de débito automático. Caso detecte alguma irregularidade indicamos que entrem em contato primeiro com a instituição ou banco para tentar resolver. Se não for possível, procure o Procon”, disse.