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Casmil é alvo de operação da Polícia Civil em Passos

Por Ézio Santos / Especial

16 de outubro de 2020

Felipe Capute solicitou auxilio para agilizar a conclusão do inquérito relativo a investigação da Casmil. / Foto: Divulgação

PASSOS – A 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil (DRPC) de Passos realizou na manhã desta quinta-feira, dia 15, a operação ‘Consilium Fraudis’ que culminou em apreensões de computadores, aparelhos celulares e diversos documentos da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil). A ação foi coordenada pelo delegado e responsável pela Agência de Inteligência Policial (AIP), Felipe de Souza Capute, o delegado Regional Adjunto, Danilo Tobias de Oliveira Fernandes, e 12 policiais, entre investigadores e peritos criminais.

Por volta de 8h, de posse de uma representação de busca e apreensão solicitado por Capute e expedido por uma autoridade do Poder Judiciário de Passos, a equipe da DRPC chegou na sede da Cooperativa, rua Coronel João de Barros, 840, centro, e recolheu no setor financeiro e sala do presidente Leonardo Medeiros, várias máquinas eletrônicas de processamento de dados da Casmil, telefones móveis de três principais e atuais gestores cujos nomes não foram revelados, além de uma gama de títulos impressos, todos com relevância investigativa.

De acordo com Capute, o principal objetivo da operação ‘Consilium Fraudis’ é investigar supostos crimes societários, relativos a apropriação indébita, estelionato e associação criminosa. “Há indícios veementes de que os atuais gestores fraudaram a emissão de documentos e títulos de créditos em detrimento do patrimônio de um fundo investidor na cidade de São Paulo, capital, no valor aproximado de R$ 500 mil”, explicou o delegado responsável também pela AIP.

Capute revelou que as pessoas envolvidas nos supostos atos criminosos não foram presos e nem afastados porque não houve anuência do Poder Judiciário. “A operação que teve início neste semestre vai prosseguir, inclusive com análise do material apreendido e dos resultados de afastamento do sigilo bancário da cooperativa”, afirmou o coordenador da ação.


A origem

Segundo apurado, os atuais diretores da entidade negociaram com uma indústria de alimentos o repasse de duplicatas da empresa a título de créditos decorrentes da venda de leite cru. A diretoria da cooperativa então cedeu esses créditos a um fundo de investidores que adquire títulos recebíveis mediante juros compensatórios e contraprestação à vista para o cedente.

Os levantamentos apontam que o termo de cessão foi no valor aproximado de R$ 526 mil. Posteriormente, a indústria de alimentos quitou o débito das duplicatas com a Cooperativa. As investigações mostram, contudo, que os gestores receberam indevidamente os valores dos títulos, que não foram repassados em pagamento à cessão anteriormente firmada com o agente financeiro. A Folha tentou ouvir, durante todo o dia de ontem, a diretoria da Cooperativa, mas não obteve retorno dos diretores ou funcionários.