Opinião

Unidade na diversidade

Washington L. Tomé de Sousa

22 de junho de 2022

“… Tu vives e permaneces para sempre, pois em ti vivemos e nos movemos e temos nosso ser.” (Citação de S. Paulo, em seu discurso aos atenienses, tirada do poema “Cretica”, escrito pelo filósofo e poeta grego Epimênides por volta de 600-700 AC, em referência a Deus).
Brasil, mostra a tua cara, branca, preta, de índio, de pobre, de bilionário, de miserável, de católico, de protestante, de espírita, de ateu, de capitalista, de socialista, de radical, de moderado, de rigor, de tolerância, de nordestino, de sulista, de baiano, de paulista… de bolsonarista e de lulista… ufa! Basta! O Brasil somos muitos.

 

Mistura heterogênea, mas com amálgama

Sabemos que água e óleo não se misturam, pois é um sistema que apresenta duas fases e cada uma é composta por uma substância diferente que não dá liga com a outra. De certa forma, o Brasil é como uma mistura heterogênea, porém, assemelhado ao granito, cuja composição é feita por quartzo, feldspato e mica, em que podemos distinguir, na mesma pedra, pela diferença de cor, cada um desses elementos – diferentes, mas integrados em um único elemento. Juntos, formam uma rocha de grande dureza e beleza.

Grosso modo, é próprio do homem, e de suas organizações e instituições, querer se perpetuar e prevalecer sobre os demais, muitas vezes de forma hegemônica, absoluta. É o que se pode observar, por exemplo, de forma mais explícita, no contexto da política e da fé religiosa, na busca do poder absoluto, na eliminação ou anulação dos divergentes, pelos mais diversos meios, sem espaço para o convívio civilizado, respeitoso, saudável, entre correntes diferentes de pensamento. A história está aí para demonstrar, ao longo do tempo, dos milhares de anos da civilização, a luta pelo poder, dos impérios (babilônico, persa, romano, britânico…), das ideologias (comunismo, nazismo, capitalismo…), das religiões (judaísmo, catolicismo, protestantismo, islamismo…). Qual destes prevaleceu e permaneceu de forma absoluta sobre os demais? Mas o nosso aprendizado caminha a passos de tartaruga e a ameaça de retrocesso está sempre presente, recorrente como solução fácil para os desafios de toda ordem que se apresentam.

Ruanda – um alerta para o Brasil… e para o mundo

A guerra civil ocorrida em passado recente em Ruanda (1990-1994), motivada por conflitos étnicos e políticos entre os dois principais grupos daquele país, os hutus e os tutsis, resultou no genocídio de cerca de 800 mil tutsis e 60 mil hutus. Foram anos da mais pura barbárie, em que cerca de um milhão de vidas, de recém-nascidos a idosos, foram, literalmente, ceifadas, quase todas pelas lâminas frias de facões, retintos pelo sangue das suas vítimas. Como pano de fundo dessa tragédia, um passado de colonização por alemães e por belgas, que, como instrumento de dominação, acirraram e institucionalizaram a discriminação entre ambas as etnias, gerando ódio mortal onde, antes, havia convivência pacífica (dividir para governar).

O desejo hegemônico militar e econômico de algumas nações sobre as demais, bem como a ameaça de ideologias transnacionais são sérias ameaças que pairam sobre o direito que os povos de todos os Estados possuem, de determinar a forma que será legitimado seu direito interno, sem que haja influência de qualquer outro país (princípio consagrado de autodeterminação dos povos) e sobre o direito de se autogovernarem (soberania). E o Brasil não foge a esse contexto. Como nação heterogênea, multirracial e multicultural, admirada pelas demais justamente por conseguir integrar em seu tecido social toda essa diversidade – e encontra-se aí a sua força! -, urge reforçar e aperfeiçoar os laços que nos unem e que foram construídos com grande esforço ao longo do tempo: a nossa história comum, a nossa língua, a integridade do nosso território… como sociedade integrativa de todos os elementos heterogêneos que a compõem, mormente criando mecanismos que favoreçam a ascensão socioeconômica dos menos favorecidos, eliminando o malefício e elemento de ruptura da desigualdade social, e que promovam a inclusão de minorias. E não nos afastando do nosso espírito característico de solidariedade ao próximo e como raça humana. Políticas e ideologias que privilegiem a desagregação e a polarização devem ser rejeitadas. Ditaduras não são bem-vindas, sejam elas do quartel, do proletariado, da toga, ou da… (de qualquer origem). Vamos, juntos, construir o nosso caminho, sem interferência alienígena.

P.S.: Três eventos movimentam a nossa cidade nos dois próximos finais de semana: 1) Santa Casa de Passos – Innovation Experience CSS | 2022 Um dos maiores eventos de negócios e inovação do Sul de MG – 22 a 24 de junho – Na Cidade da Saúde e do Saber; 2) Passos Open de Tênis, na Academia do Dudu – 24 a 26 de junho; 3) 4ª Feira de Móveis Rústicos de Passos – 30 de junho a 03 de julho – no Parque de Exposições. Vamos prestigiar a nossa cidade.

Saúde e paz a todos!

 

 

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve quinzenalmente às quartas, nesta coluna