Opinião

Tânatos versus Eros – morte contra a vida

POR ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS

20 de março de 2021

O nosso escritor Marco Túlio postou no Facebook (18/03) a seguinte frase: “285.136 – A morte está na presidência do Brasil”. Estamos realmente vivendo sob o domínio de Tânatos, pois a morte ronda por todo o mundo e aqui no Brasil ainda temos excelentes representantes a seu serviço. No momento falar ou escrever sobre este tema aqui em nosso país, corre-se o risco de receber uma intimação policial ou judicial, principalmente se envolver a presidência da República.

Então melhor mesmo é sair pela tangente e deixar para os chamados “grandes meios” de comunicação que por sinal, estão fazendo um excelente papel de denunciadores e divulgadores dos danosos efeitos da pandemia por todo o país. Com o objetivo de conscientizar a população para evitar mal maior. E, sobretudo, escancarando a inoperância digamos proposital do governo federal em não chamar a si o papel de articulador e líder das iniciativas necessárias ao combate da pandemia e seu efeito devastador a Covid/19.

Administração esta que está sempre correndo atrás, chegando atrasado e assim mesmo empurrado pelas pressões populares, dos meios de comunicação e agora até dos novos presidentes do Senado e da Câmara. Daí que o presidente da República resolveu mudar o ministro da Saúde, o general da logística Pazuello e colocando no Ministério da Saúde outro ministro, o médico cardiologista Marcelo Queiroga que já afirmou que vai continuar o trabalho do seu antecessor.

Ah, disse também que como o Pazuello ele vai seguir as orientações ou seja, a política da saúde do presidente Bolsonaro, portanto se assim for, o que realmente vai mudar? Tem gente pedindo um tempo para que o ministro substituto possa aprender a complexa engrenagem da administração pública e aí sim, vai aparecer o serviço! Pois não, em pleno novo pico da pandemia atingindo recordes de mortes diárias, então só cantando com o Raul Seixas: “Com a boca escancarada cheia de dentes/Esperando a morte chegar”.

Para a Psicanálise Tânatos, um dos deuses da mitologia grega, é a personificação mítica da pulsão de morte um impulso instintivo e inconsciente que busca a morte e/ou a destruição. Esse conceito aparece desenvolvido nos livros “Mais além do princípio do prazer” e “Mal-estar na civilização”, de Sigmund Freud (1856-1939).

Para Freud, o ser humano carrega o instinto de morte ou Thanatos, nascido em oposição ao instinto de vida, ou Eros (mais conhecido como deus do amor). Tânatos definido como o gerador de impulsos inconscientes como a busca de voltar ao absoluto descanso da não-existência. Pode ser considerado como o impulso que busca a própria morte e desaparecimento. Estamos vivenciando uma profunda síndrome de Tánatos. É uma crise mundial, mas com especificidade bem brasileira.

Vejam bem que por aqui de uns dois anos para cá, nunca se falou tanto em mortes, armas, liberações ao excesso para posses de armas e seguido do negacionismo não só da pandemia como também da eficácia da vacinação, com receitas de medicamentos inadequados, enfim tudo que só leva ao aumento das mortes.

E então, eis aí o resultado diante da pandemia causada por um vírus exterminador, que já levou o absurdo número próximo de três milhões de pessoas em todo o mundo. Mas tais dados não fazem mais efeito em uma população desorientada, anestesiada pelas desinformações provocadas até oficialmente. E mais nossa gente sem rumos a desafiar inconscientemente o vírus da morte. Tânatos está governando e vencendo a vida, até quando?

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História.