Opinião

Responsabilidade

Paulo Natir

8 de junho de 2021

Para quem pensa que já viu o Governo Federal errar demais na condução da pandemia, vai ficar totalmente escandalizado (a) com a decisão do país de sediar a Copa América de Futebol. O Brasil nunca foi um país sério…

Porém, aqui no andar de baixo, a batata assa. Portanto, corrijo agora algumas declarações que escrevi aqui na semana passada. Na oportunidade, revoltado com a condução do país, sobretudo na questão ambiental, chamei o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de criminoso contumaz. Para o bem da verdade, até que se prove o contrário, respeitando o devido processo legal, o ministro é inocente. Apesar de sua gestão temerária, horrorosa e destruidora.

Também informei, erroneamente, que Ricardo Salles estava sendo investigado por exportar madeira da Amazônia. O correto seria informar que a ministra do STF, Carmem Lúcia, autorizou abertura de inquérito para apurar possíveis crimes de advocacia administrativa. Salles é acusado de dificultar fiscalizações e facilitar o esquema de exportação de madeira favorecendo madeireiros da região amazônica.

Essas retratações são necessárias até para lembrar a todos que a liberdade de expressão tem suas responsabilidades, sobretudo a liberdade de imprensa. A comunicação é um grande poder que requer imensa responsabilidade.

Responsabilidade decisiva que faltou ao Governo Federal diante da maior crise sanitária registrada no mundo nos últimos 100 anos. O presidente Bolsonaro é um negacionista convicto que já fez mais 100 afirmações subestimando esse vírus que já matou quase meio milhão de brasileiros. Quem vai pagar por isso?

Na semana passada a CPI da Covid, no Senado Federal, teve a oportunidade, de ouvir duas médicas. Primeiro foi a “colaboradora” Nise Yamagichi que sempre defendeu o uso do medicamento cloroquina para a Covid – mesmo depois de constatada a ineficácia e os riscos dessa medicação. Ela é suspeita de integrar o chamado “gabinete paralelo”.

Em contraposição aos argumentos da doutora Yamagichi, os senadores ouviram a infectologista Luana Araújo – barrada pelo Planalto após ser convidada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para assumir uma secretaria de combate a Covid. Sua conduta científica estritamente cientifica não agradou o governo negacionista. O que prevaleceu foi o gabinete paralelo e as ideias da médica Yamagichi que beirou o charlatanismo.

Doutora Luana deu uma verdadeira aula aos senadores e disse não saber os motivos pelos quais foi barrada no Ministério da Saúde. O desprezo pela ciência foi adotado por Bolsonaro desde o início da pandemia e permanece até hoje.

É muito ruim para a imagem do pais ter um relator como o senador Renan Calheiros na CPI da Covid. Definitivamente ele não passa seriedade. Porém, acho que ficaria pior se a sujeira fosse colocada debaixo do tapete. Esse é um momento crucial para o futuro de nossa nação. E como diria o ex-BBB Gilberto: “O Brasil tá vendo”!