Opinião

Rescaldo de um desgoverno

Por Paulo Natir

12 de Maio de 2020

O pagodinho do “Dilsinho” é só para a gente relaxar um pouco, antes de iniciar esse assunto de extrema importância e absoluta relevância.

Dirigentes das principais instituições do Estado brasileiro podem nos dar nos próximos dias e meses prova robusta da independência e harmonia dos poderes. Pela segunda vez, em plena pandemia, o presidente Jair Messias Bolsonaro lidera um manifesto antidemocrático, na Explanada dos Ministérios, em Brasília (DF). Os manifestantes pediam a volta da ditadura com Bolsonaro no poder. Esse movimento ilegal e imoral acontece no exato momento que o mundo vive a pior crise sanitária dos últimos 100 anos. O presidente não só participa da baderna, que a imprensa batizou de coronafest, como incentiva os manifestantes a manterem firmes os atos e atividades ilícitas.

O “inquilino passageiro” que ocupa hoje a principal cadeira da República brasileira extrapolou todos os limites que se espera do chefe do poder Executivo de uma nação desenvolvida. Que exemplo Bolsonaro nos dá no momento em que autoridades mundiais insistem no distanciamento social para frear a pandemia?

O presidente discursou para a turma aglomerada próximo ao Palácio do Planalto e reclamou de uma suposta interferência do poder Judiciário no Executivo. Bolsonaro se referia a uma decisão do ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a chefia da Polícia Federal. O ministro viu “desvio de finalidade” na nomeação uma vez que Ramagem é amigo íntimo da família do presidente.

Essa troca na Polícia provocou um enorme terremoto na Explanada dos Ministérios. O então ministro da Justiça Sérgio Mouro – para quem Bolsonaro havia prometido autonomia no Ministério – convocou uma entrevista coletiva onde anunciou sua saída do governo e ainda fez uma série de denúncias contra o presidente. A maior autoridade da República entre outras coisas, deve agir respeitando a impessoalidade, moralidade e o interesse público. A postura do presidente brasileiro espanta o mundo. Ele ignora a ciência e nega a realidade. Tudo isso enquanto o país já contabiliza quase 10 mil mortes pelo novo
coronavírus.

A pandemia que apavora o mundo foi classificada por Bolsonaro como uma gripezinha. Questionado sobre o alto número de óbitos o presidente disse: “E dai? Lamento. Eu sou Messias, mas não faço milagres”, essas infelizes declarações repercutiram no mundo inteiro. O presidente integra o G-4 da pandemia – líderes mundiais que negam a existência do vírus. Ele é considerado o pior líder mundial no combate à covid-19.

Além de ameaçar a ordem democrática brasileira, Bolsonaro ainda põe em risco a saúde da população estimulando o fim do isolamento social (quarentena). Por outro lado, o mundo inteiro está adotando medidas restritivas mais severas.

Enquanto isso, diversos estados brasileiros já enfrentam o colapso no sistema de saúde. Além da falta de leitos, faltam ainda respiradores, equipamentos de proteção individuas e até insumos.
A administração municipal de Passos acertou muito ao seguir as determinações das autoridades mundiais de saúde. As restrições e o isolamento social ainda são necessários. O grande problema do momento são as pessoas assintomáticas, ou seja, aquelas que não apresentam sintomas. Portanto, vamos ser cautelosos. A economia é de fundamental importância, porém a saúde pública deve ser preservada em primeiríssimo lugar. No mais, muita paciência a todos, esperança, prudência e muita saúde. Jesus é nosso guia!

PAULO NATIR é jornalista