Opinião

Prioridades

POR WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA

28 de abril de 2021

Em meio ao pandemônio atual, em quase todos os aspectos da vida, gerado pela pandemia do Covid-19, onde não se vislumbra nem luz no fim do túnel e nem túnel no fim da luz, recordei-me de vídeo que circula pelas redes sociais, no qual um motociclista está realizando um treino de pilotagem em pista sinuosa e, após passar por quase todos os obstáculos e dificuldades, cai sempre com a motocicleta na última curva que o levaria à reta final do teste. Já quase desistindo de prosseguir no treino, após tantos fracassos, é, então, chamado pelo instrutor, que lhe diz: – Olha, este é um erro muito comum observado aqui.

Quase todos os motociclistas caem nessa última curva, porque em vez de olharem para a reta final que está à frente, que os levará à conclusão do teste com satisfação, mantêm o foco na curva. O resultado é, então, uma queda. E aconselhou, em seguida: – Não desista. Repita o teste e, ao chegar a esta curva novamente, mantenha o foco na saída, pois a moto irá para onde você direcionar o seu olhar. Se olhar para a curva e para o chão, é pra lá que você vai com a moto, você vai cair. Se olhar para a saída, vai conseguir fazer a curva e ser bem sucedido na prova. E aí, refeito o percurso, com a observância da orientação recebida, concluiu-o, por fim, satisfatoriamente.

No desarranjo que se abateu sobre o país nos últimos anos, na política, na economia e, agora, na área da saúde, com toda sorte de reflexos na vida nacional e em nível pessoal também, observa-se nas mídias o bombardeio diuturno de notícias negativas e catastróficas, em repetição tão contínua, que levam muitos a crer que estamos vivendo o apocalipse. É indiscutível que o direito à informação deve ser livre e exercido de forma transparente, para conhecimento dos fatos, para formação de opinião e tomada de posições e de decisões por parte de todos. Mas não pode se tornar terrorismo midiático, como muito se observa.

Urge o direcionamento de esforços na superação das crises, com o foco no que funciona, no que temos de melhor, naquilo que pode alavancar o nosso desenvolvimento socioeconômico, a exemplo do bem-sucedido e celebrado agronegócio brasileiro e, apesar de todas as críticas, limitações e imperfeições, do nosso Sistema Único de Saúde (SUS), que revelou a sua grande valia como ‘colchão’ social na área da saúde pública, neste momento tão grave da pandemia do Covid-19. Dentre tantos que podem ser prospectados, estes são apenas dois exemplos que vêm dando certo e podem e devem ser melhorados, servindo de base para a sustentação do bem-estar social e de eixo de alavancamento do crescimento econômico do país.

Em nosso município, também, não é diferente. Temos muitas dificuldades a serem enfrentadas. Mas temos, também, grande potencial de crescimento econômico e social. No já tradicional agronegócio, na indústria confeccionista e moveleira, como polo regional na área da saúde e da educação etc. Em nível pessoal, esse princípio norteador também é aplicável. Afinal, para onde direcionarmos o nosso foco, para lá nos encaminharemos, como no exemplo acima citado, do motociclista. Saúde e paz a todos!

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve
quinzenalmente às quartas, nesta coluna