Opinião

Princípios II – ação e reação

POR WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA

14 de abril de 2021

Todo reino dividido internamente está condenado à ruína. Uma cidade ou família dividida contra si mesma se desintegrará.” Diz o enunciado da Terceira Lei de Newton, também conhecida como lei da ação e reação, que, “para toda força de ação que é aplicada a um corpo, surge uma força de reação com a mesma intensidade e que atua na direção oposta”. Este princípio da física tem aplicação, também, com as devidas adequações, nos mais variados aspectos das relações humanas. Grosso modo falando, se a ação é destrutiva, receberá, como resposta, destruição. Se a ação é construtiva, receberá, como resposta, construção.

Faz-se o mal, recebe-se o mal, faz-se o bem, recebe-se o bem. Simples, não é mesmo? Sim, é simples como enunciado, mas, como prática ao longo da história humana, o que se tem observado é a prevalência das ações negativas. O resultado, é visível, não tem sido e não pode ser positivo, mas, por paradoxal, poucos se dão conta disso. Caminhamos, como humanidade, para um mundo cada vez mais dividido por ódios mútuos, incompreensões e desejos de exterminação do outro, coroando, negativamente, o postulado da lei acima referida.

Presente, também, na insipiente democracia brasileira – confirmando a “lei da ação e reação” –, salvo exceções, a força dos instintos mais primitivos vem falando mais alto que a da razão e da sensatez, no contexto político e social, mormente na nossa elite dirigente, capitaneada (?), no Executivo, pelo seu atual presidente, e, nos demais poderes, por seus representantes e membros muitas vezes nada elogiáveis, também, e objetos de repugnância por grande parte da nação. O que se vê é o desejo de destruir e de desconstruir o outro, usando-se e abusando-se do mesmo discurso que se diz pretender combater, o do ódio. Daí, o que vai resultar, e já estamos colhendo, não pode ser outra coisa, a não ser mais ódio e desentendimento.

Grandes dificuldades exigem homens com grandeza de espírito para a sua superação. Exemplos os temos ao longo da história, tais como Lincoln, Gandhi, Churchill, Mandela e outros, que pagaram o preço, alguns com a própria vida, para conduzir suas nações a um porto seguro diante dos grandes desafios então enfrentados. Se aqui no Brasil não os temos neste momento cruciante em que vivemos, o mínimo que se exige e se espera dos nossos dirigentes, em todos os níveis de poder, é que não fomentem ainda mais as divisões e que promovam a via do diálogo e do respeito mútuo como pacificação dos ânimos acirrados e das correntes divergentes. A agenda deve ser propositiva, a da construção. Caso contrário, colheremos mais do mesmo que já temos experimentado. O princípio é universal e se aplica, de igual forma, ao nosso microcosmo, à nossa vida pessoal. Somos atores, também, nesse grande palco da vida. Com quem temos andado?


Comoção nacional

A morte do menino Henry Borel, ocorrida recentemente, vítima de atos de crueldade e violência por parte, supostamente, do padrasto Dr. Jairinho, com a conivência da mãe, tem causado grande comoção e indignação em todo o país. Em breve pesquisa do histórico do suposto autor principal do crime, Dr. Jairinho, vê-se que o caldo de cultura em que foi criado, alimentado e onde cresceu, o que poderíamos chamar de “modus formandi” e de “modus informandi”, é um verdadeiro ‘caldeirão de bruxa’, onde se misturam os piores ingredientes para a realização de um feitiço, presentes na figura de um pai autoritário, acusado de chefiar milícia poderosa no Rio de Janeiro, envolvimento com o pior espectro da religião no Brasil e com a política na sua pior acepção. O resultado, estamos a ver. Aproveito a oportunidade para manifestar, aqui, o meu mais profundo repúdio a todo tipo de pensamento único e hegemônico, seja de qual matiz venha, político, religioso, econômico, filosófico… Saúde e paz a todos!

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve
quinzenalmente às quartas, nesta coluna