Opinião

Pequenos negócios fazem o Brasil gigante

21 de junho de 2022

Os números relativos ao empreendedorismo no Brasil são muito eloquentes e servem de balizas seguras para que o país tenha esse tema no centro dos debates nessa próxima eleição. Do universo total de empresas em funcionamento no mercado interno, 99% delas são vinculadas ao segmento das micro e pequenas empresas. Perto de 30% de toda a riqueza produzida no Brasil é resultado da atividade desse segmento. No quesito emprego, uma das maiores preocupações dos brasileiros, na atualidade o setor é insubstituível. Das 2,7 milhões de vagas abertas no ano passado, 80% foram oportunidades criadas entre os pequenos negócios.

A eleição que se aproxima envolverá a escolha do presidente da República, governadores estaduais, 513 deputados, 27 senadores –além da renovação de todas as Assembleias Legislativas. A força do voto do eleitor, escolhendo democrática e livremente, entre as propostas de governo e de trabalho, é o que orientará o país nos próximos anos, notadamente nas questões essenciais da economia. Desde a redemocratização, conquistada pela associação de grupos suprapartidários que também viabilizaram uma Constituição moderna e democrática, esse pleito será um dos mais importantes, dada a politização atual. Independentemente de preferências e paixões políticas, o bem-estar tem sido uma espécie de nova ideologia.

O Sebrae tem uma relevante e estratégica interface com as eleições e uma agenda criteriosa que será discutida oportunamente com a sociedade, com o segmento e, principalmente, com os candidatos. Esse é o melhor momento para repactuarmos os compromissos com os representantes populares e colaborar para o desenvolvimento do Brasil a partir do fortalecimento das micro e pequenas empresas. Mesmo com avanços graduais na legislação desde a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (2006), o ambiente de negócios ainda é adverso, com excessos de burocracia, tributação e gargalos crônicos no acesso a crédito. Progressivamente o Sebrae, articulador do sistema, tem conseguido diversos avanços, mas ainda estamos longe do desejável.

O processo de retomada da economia, após a pandemia que permanece recalcitrante, apresentará grandes desafios aos novos governantes, aos trabalhadores e também aos empresários, independentemente do tamanho das operações. A crise sanitária criou instabilidades, imprevisibilidades e os agentes públicos e privados precisarão apresentar soluções efetivas, ágeis e convincentes para a retomada do crescimento. Esta eleição, portanto, é uma enorme janela de possibilidade para reforçarmos o papel estratégico das micro e pequenas empresas na criação de emprego, geração de renda e crescimento econômico. É ainda um momento único para reafirmar o protagonismo do Sebrae no desenvolvimento.

Em meados de junho, a Istoé Dinheiro, em parceria com a TM20, BAV, WPP e Superunion, divulgou um resultado muito gratificante para todos que atuam nessa causa: em 2021, o Sebrae ficou entre as 10 marcas mais fortes do Brasil. O ranking foi elaborado a partir de 17 mil entrevistas realizadas entre outubro e novembro de 2021. Foram avaliadas nada menos que 1.700 empresas e levados em consideração 48 atributos. Entre eles, a relevância do nome, estima, familiaridade com a marca, responsabilidade social, originalidade, progresso, dinamismo, utilidade e valor agregado. Essa confirmação de sermos uma das marcas mais fortes e famosas do país vem ao encontro do que já sentíamos no dia a dia de nossas atividade.

Esse é o fruto do trabalho de uma grande e dedicada equipe, de quem trabalha diuturnamente para conquistar avanços e preservar o muito já alcançado. Estar nessa elite de marcas pela 1ª vez é um grande marco, especialmente quando estamos comemorando 50 anos do Sebrae. É nosso melhor presente. É o melhor presente para os empresários de pequenos negócios, nossa razão diária. Por isso, falar de eleições é falar de pequenos negócios e neste assunto, o Sebrae tem total condições de contribuir. Essa pauta é nossa!

 

CARLOS MELLES é presidente do Sebrae, engenheiro agrônomo, pesquisador e dirigente cooperativista. Foi deputado federal por 6 mandatos consecutivos, ministro do Esporte e Turismo (em 2000) e, no Governo de Minas Gerais, secretário de Transportes e Obras Públicas (2011).