Opinião

Pena que aqui é igual…

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA

4 de junho de 2021

O que se vê frequentemente, é o uso do poder para se estabelecer o interesse escuso, abuso de poder, desvio de finalidade, omissão da administração pública, e o povo contribuinte, até parece que tomou uma injeção de cale-se.” – Gil Nunes.

O que mais tenho ouvido com pessoas com quem converso, são perguntas de preocupação com “onde vamos chegar com esse maniqueísmo político instalado?”. Não tem sido anormal abrirmos o jornal nas manhãs e nos assustarmos com mais um descalabro de um político ou assistirmos personagens na TV a vociferar frases as mais desmedidas possíveis e sem o menor compromisso com a veracidade do que apresentam, tenha a consequência que tiver. São festivais de agressões, de vitupérios e desatinos que muitas vezes são respondidos no mesmo tom por quem se ofendeu, mesmo sabendo que o mais correto neste caso seria ignorar, porque tais personagens são perniciosos, peçonhentos e muitas vezes são capazes de cometer atrocidades para cumprir seus intentos, confessáveis ou não.
Eu imaginava que já tinha visto tudo na vida, desde os discursos lascivos, os interesses escusos que defendem e a impostura quase que generalizada dos políticos brasileiros, mas a cada dia me surpreendo mais e mais com novos fatos, novo show de horrores. E se engana quem imagina que isto se resume ao cenário federal com nossos deputados e senadores, que eu apenas diria que são atores principais deste teatro macabro, mas podemos verificar que bem próximo a nós, fatos semelhantes acontecem como se estivéssemos seguindo mestres do destempero e do desvario.

Mas de tudo que tenho visto acontecer, desde governantes, parlamentares e até mesmo magistrados completamente desregrados e calhordas, nada se compara o show de horrores que vem sendo praticado na desprezível CPI do covid, instalada no Senado Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Em primeiro lugar, a escolha do senador Renan Calheiros para relatar a referida comissão, pode ser interpretado como uma verdadeira afronta aos brasileiros que desejam passar a limpo esse país. A duvidosa indicação, não se resume apenas no fato do senador ter um filho governando o Estado de Alagoas, onde fatos devem ser apurados, gerando uma nefasta suspeição, ou mesmo em relação aos 43 processos em que ele é réu e tantos outros indiciados. O que mais causa espécie é que Calheiros é um verdadeiro emblema de tudo de mais antigo e condenável na política e que de certa forma conduziu a todo esse estado de coisas que o Brasil atravessa. Herdeiro direto da velha política de Sarney e ACM, o senador Calheiros traz em seu currículo tudo aquilo que desejamos afastar, extirpar definitivamente do cenário político brasileiro. E pasmem, este perfil hoje está instalado no cargo operacional mais importante da CPI onde somos obrigados a ouvir cantilenas asquerosas de quem não tem compromisso com nada, a não ser consigo mesmo e seus recônditos interesses.

Por outro lado o Senador Aziz, escolhido como presidente da CPI, é farinha do mesmo saco, tendo inclusive sua esposa e irmãos sido presos recentemente em operação da Polícia Federal, sob acusação de desvio de recursos públicos exatamente na área da Saúde Pública em especial o combate à pandemia.

E como nada é tão ruim que não possa ser piorado, quero aqui deixar o meu mais profundo desprezo e repugnância à conduta dos senadores Aziz e Renan mas acredito que anteontem chegamos ao fundo do poço. A Dra Nise Yamaguchi compareceu à CPI como colaboradora e ali apresentou sua argumentação com forte conteúdo técnico o que de pronto irritou o presidente da CPI, que tentou de forma bizarra desqualificá-la pelo tom de voz ameno, muito diferente das bravatas do Renan e da voz chula e de contralto do Senador Randolfe. Mas o pior ainda estava por acontecer: o senador baiano Otto Alencar que também é médico, resolveu fazer uma arguição, daquelas de sala de aula, menosprezando a colega médica com frases que tenho vergonha de repetir, rasgando a ética médica e imagino que o CRM deverá julgar o episódio. A grosseria e deselegância comuns nos interrogatórios da CPI, desta feita foi descomunal, inclusive com tratamento preconceituoso e violento e chegou aos limites do inacreditável.

As entidades de defesa da mulher e outras entidades de direitos humanos se contaminaram de tal forma com o lulopetismo, fazem um covarde silêncio, mas tudo isto descortinou à população brasileira a quantas andam nossos representantes na mais alta casa legislativa e o ambiente de bordel que toma conta de algumas das reuniões que ali acontecem.

Se as medidas para corrigir tudo isso que acontece no cenário federal, pelo menos próximos a nós, nos municípios, chegou a hora de fazer valer a cidadania e não deixar prosperar em nosso meio, os séquitos e defensores destes políticos, que usam as mesmas táticas e objetivos similares. É fácil identificar tais personagens pois eles certamente habitam os porões do poder, à cata de migalhas que caem dos banquetes da corrupção.

O Brasil merece muito mais que isto.