Opinião

Passando a boiada

Paulo Natir

1 de junho de 2021

Jamais, desde a redemocratização do Brasil na década de 80, o país não tinha visto um ministro tão criminoso e nocivo aos interesses nacionais como o atual ministro do Meio Ambiente, o tal de Ricardo Salles. Ele deveria ser exonerado com extrema urgência, desde aquela célebre reunião ministerial de 20 abril de 2020, quando o ministro disse claramente a todos os presentes: “Precisa ter um esforço aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade, no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala em covid, e ir passando a boiada, e mudando todo regramento (ambiental), e simplificando normas”. Essa reunião era secreta mais veio a público por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Ambientalistas afirmam que o ministro cumpre com muita determinação ordens expressas do presidente brasileiro, desde quando assumiu o cargo, em janeiro de 2 019, bem antes da pandemia do novo coronavírus. Salles assumiu a pasta com objetivo claro e ordens do patrão para tocar a boiada.

Desde então o rebanho arrebentou a porteira e pisoteia sem dó nem piedade a maior riqueza ambiental do mundo, a floresta Amazônica. Entre outras coisas Salles já criou regras que dificultam a aplicação de multas; transferiu poderes do ministério do Meio Ambiente para outras pastas; e tentou mudar o entendimento sobre normas com a Lei da Mata Atlântica. Ele também já revogou várias resoluções que tratavam de diferentes áreas da política ambiental em nosso país. Está em curso desde o início do governo Bolsonaro um gigantesco desmonte de toda eficiente política ambiental brasileira elaborada no decorrer dos últimos governos.

Acreditem, Ricardo chegou ao cúmulo de apresentar uma norma que dispensa a autorização de licença ambiental para empreendimentos na Amazônia Legal. Segundo suas instruções, os próprios empreendedores poderiam elaborar um termo que serviria como licença ambiental. Tem base?

Para piorar muito a trajetória do ministro do Meio Ambiente, Salles agora está sendo investigado pela Justiça acusado, entre outros crimes, de exportar madeira de árvores nativas da Amazônia para países como os Estados Unidos. Os investigadores já registraram movimentações financeiras suspeitas no escritório de advocacia do qual o ministro é sócio. Além do ministro, a mãe dele e o escritório já tiveram o sigilo fiscal e bancários quebrados.

Conforme matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, de 2 012 a 2 017 o escritório de advocacia movimentou cerca de R$ 14 milhões conforme relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) enviado ao STF. Neste período foram transferidos R$ 2,8 milhões do escritório para a conta pessoal de Ricardo Salles que por sua vez aumentou seu patrimônio em R$ 7,4 milhões entre 2 012 e 2 018. Esses valores foram destrinchados pela Promotoria de São Paulo após a quebra de sigilo do ministro.

Além dos fatos serem gravíssimos a frágil economia brasileira vai sofrer mais um terrível atropelo. Toda produção nacional vai ser barrada pelo mercado mundial que cobra, a todo momento, ações do governo brasileiro para parar com a destruição da Floresta Amazônica. Agora já não basta ao presidente Bolsonaro exonerar seu ministro. É urgentíssimo demitir o próprio presidente após esse triste roteiro de omissões e farta corrupção. Para o bem geral da nação já passou muito da hora de todos decretar: Fora Bolsonaro e toda quadrilha acampada no Palácio do Planalto.

Basta de desgoverno.