Opinião

O “vírus chinês” e a nova Guerra Fria

16 de Maio de 2020

Há um esforço meio idiota de nacionalizar vírus desde que o Coronavírus começou a fazer as suas primeiras vítimas em um país, que tem a economia mais promissora em crescimento do mundo, a China. Então, daqui para frente toda vez que um vírus aparecer fazendo vítimas letais, assim terá granjeado a nacionalidade do país em que surgir. O Ebola e o HIV surgiram na África, então são vírus continentais, ou seja, vírus africanos.

Que tolice, né! Agora, retornando à sanidade mental, vamos tratar do tema em epígrafe. A nova Guerra Fria. Desde que o mundo se tornou civilizado a história nos mostra a competição entre povos suas culturas e nações com objetivos de dominação. Para ficar em apenas num exemplo bem antigo, lembro aqui das chamadas guerras Púnicas (264 a.C e 146 a.C), entre Roma versus Cartago, talvez a mais longa guerra do mundo antigo, entre duas potencias militares e comerciais.

Sobre as quais guerras, Roma saiu-se vencedora e se tornou dona do mundo até o inicio da Idade Média. E por este motivo, estou aqui escrevendo em um idioma derivado do latim que era a língua pátria dos romanos. O mundo contemporâneo, ou seja, da metade do século XVIII para os tempos atuais, não eliminou esta regra competitiva entre nações e até pelo contrário, ensejou várias guerras regionais e duas guerras mundiais para decidir quem controla o mundo. E após a 2ª. Grande Guerra Mundial (1939 a 1945) emergiram duas potências mundiais, ou se preferirem, dois blocos geopolíticos que passaram a disputar a hegemonia internacional.

O Bloco socialista, liderado pela URSS e o Bloco capitalista liderado pelos EUA. Felizmente, para o mundo, tal rivalidade não gerou a temida 3ª. Guerra Mundial, que seria nuclear, o que esteve por um fio em acontecer devido algumas tensões políticas entre EUA e URSS, em defesa de suas respectivas áreas de influências. Na verdade, tal “guerrinha” entre os dois blocos não passava de propagandas e espionagens dos respectivos sistemas políticos e econômicos para angariar simpatias mundo afora, até que a URSS deixou de existir. Este período passou à história a ser chamado de “Guerra Fria”, entre os anos de 1947 a 1991.

De lá para cá, a geopolítica mudou muito. E de onde menos se esperava ressurgiu uma potência econômica, quase que do dia para a noite, a China, um país de cultura milenar e de um bilhão e 400 milhões de habitantes. Foi o célebre general corso/francês, Napoleão Bonaparte quem vaticinou o sucesso da China, quando disse, “O dia que a China se levantar, assombrará o Mundo”. E não deu outra, olha aí a China assombrando o mundo e não é por causa do Coronavírus, que os alienados insistem em chamar de “vírus chinês”, mas sim por causa do seu avanço econômico tão avassalador, que hoje disputa de igual por igual com a maior potência econômica do mundo os EUA. E segundo as previsões menos ou mais otimistas, a China ultrapassará em breve o gigante americano.

O sucesso da China incomoda o Ocidente, mas ao mesmo tempo tem garantido às nações ocidentais, principalmente aos países emergentes como é o caso do Brasil a manutenção de suas economias devido o mercado chinês ser um grande consumidor de nossas commodities. Mesmo o Ocidente reconhecendo tal importância da economia do novo gigante asiático, não arrefeceu o ranço preconceituoso em relação ao recente passado comunista da China. Até porque também, a China é comandada pelo Partido Comunista, mesmo tendo adotado uma economia de mercado ao estilo capitalista. E por isto desencadeou uma nova “Guerra Fria” uma vez que proporcionalmente ao crescimento econômico da China, cresce aqui no Ocidente profunda desconfiança, preconceitos e xenofobia com aquele governo, povo e nação.

Tanto o governo quanto o povo chinês não estão nem aí para isto e vão seguindo em seus propósitos de fazer da China uma nação cada vez mais próspera. Deng Xiaoping (1904-1997), o líder chinês mais bem sucedido desde Mao Tsé-Tung, foi o responsável da virada chinesa rumo a este estrondoso desenvolvimento, deixou memoráveis frases até algumas de muito bom humor. Vejamos: “1. Socialismo não é ser pobre. Ser Rico é glorioso. 2. Não sei se Marx aprovaria tudo o que estamos fazendo. Quando encontrá-lo no céu, conversaremos a respeito. 3. Não importa se o gato é preto ou amarelo, desde que cace ratos”.

Então, é bom que se diga que a competição comercial entre China e EUA é briga de gigantes. E os pequenos não devem tomar partido, assim como o Bolsonaro insistindo em seguir o discurso de Trump contra a China, até porque o Brasil só terá a perder. Aliás, já está perdendo!