Opinião

O perigo das notícias falsas

POR LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO

26 de abril de 2021

Os grandes problemas da humanidade se misturam nas mentiras espalhadas em desfavor da própria humanidade. Os autores dessas trapalhadas fazem isso de maneira não apenas irresponsável. Pior. De forma desumana. Porque podem ocasionar mortes e tragédias. As notícias veiculadas nos meios de comunicação são as mais diversas. Das bombásticas às chamadas corriqueiras. Fazem parte da pauta jornalística. Cuidam de tais pautas seres humanos que trabalham com dados informativos. Nisso entram repórteres, editores e jornalistas, que se baseiam nas fontes, nem sempre seguras e que a eles chegam como matéria-prima para a produção das notícias.

Muito daquilo que recebem é confiável, outro tanto, nem tanto. E considerável parte não é apropriada para ser divulgada. Como a tabela tem de ser cumprida, há urgência na entrega do material, no quase sempre, sem a observância dos cuidados necessários, eis então tipificadas as fake news. Assim, muitos dos operadores do jornalismo passam adiante o que dispõem, sem a preocupação de que muito do que produzem pertence à categoria nada recomendável das chamadas fake news, as notícias falsas. E o prejuízo é incalculável.

Isso é que faz a diferença do jornalismo sério e responsável do jornalismo doidivanas, aquele que quer fazer sucesso a todo custo – se é que podemos atrelar a chancela do sucesso – a tanta picaretagem que existe por aí.
Então pensam que as notícias fraudulentas acontecem na órbita da grande imprensa, nas redes jornalísticas de ponta, nos principais veículos de informação. Não. Em absoluto. Muito comum as notícias falsas serem divulgadas pelas redes sociais, cujos boatos não podem em tempo real, por igual, serem desmentidos.

Ainda que não tão grave assim, dias atrás, vindo de Formiga, na altura do Trevão de Furnas – nessas paradas obrigatórias chatas e inexplicáveis – numa emissora de rádio da região, um repórter, conhecido em Passos por bons trabalhos produzidos – chamando a atenção para um “fato extraordinário”. ‘Assombração’ estaria tirando a paz de moradores da cidade de Alpinópolis, a nossa querida Ventania.

E tomem depoimentos de quem presenciou fenômenos do outro mundo. Fui ouvindo tanta bobagem, tanta asneira, que me pus a pensar e falar pra mim mesmo. Lembrando do que aprendi quando criança. Por que não se agarra numa enxada e vá limpar o quintal ou, quem sabe, limpar a calçada, no comum das vezes, está suja, pela forma deseducada como jogam lixo por absoluta carência de educação?

Sinceramente, fiquei matutando na falta de assunto do repórter da emissora de rádio. E mais: interligada a uma importante Rede de Comunicação de envergadura nacional. O repórter em questão alardeava o fato como se fosse a quinta-essência das notícias. Na hora, por óbvio, pensei na propagação das notícias falsas, já que os meios de comunicação, através da liberdade de expressão, têm autonomia de noticiar e publicar. Nem tanto.

Certa feita fez-se um levantamento no qual 62% dos entrevistados do Brasil admitiram ter acreditado em notícias falsas, valor acima da média mundial que é de 48%. Pesquisas que fazem e jogam na mídia, mais parecendo processo aleatório de medição. Um dado curioso e assustador é que uma das principais redes sociais de notícias falsas é o WhatsApp, perdendo apenas para o Facebook. E lembrando que tais aplicativos são usados como fonte de notícias, pesquisas e informações.

Salutar e louvável que só notícias verdadeiras fossem compartilhadas. O emocional dos usuários na outra ponta está em jogo. Infelizmente, não. O que vemos e constatamos é o contrário. Mais fácil e expressivo noticiar: “Assombração tira a paz dos moradores da hospitaleira Alpinópolis”.

Menos espalhafatoso seria: Seres atrevidamente bípedes, na inconveniência de estranhas atitudes, incomodam a população do cemitério de Alpinópolis, com a prática de rituais religiosos, com uso de comidas, marafos e velas coloridas etc. A primeira é bem mais atiçadora, com direito a música fúnebre como pano de fundo. Quanto à mulher vestida de noiva, que sai e volta para dentro do túmulo, a meu comando gráfico, essa fica para o imaginário dos ouvintes e telespectadores.

Com o merecido respeito, não há como dormir com o barulho e estardalhaço do repórter que produz tanta matéria de cunho jornalístico apreciável e, no entanto, se perde tempo com uma bobagem dessas, que só fica atrás para os que pagam R$6,40 por cada praça de pedágio e leva prejuízo incalculável em desajustadas paradas – já que a saúde pode estar em foco – e ninguém, absolutamente ninguém, produz matéria alguma para apurar o porquê de se estar paralisando os veículos na MG-050, rodovia cheia de irregularidades e não estamos tratando de fake news. São reais e bem apropriadas.

E com o auxílio no meio do caminho do governador Zema à população durante a pandemia, como fica a apresentação do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2020/2021? E os carros apreendidos? Serão liberados? E quanto ao ‘Senhor Transtorno’, como fica? Quem vai pagar o pato, ou melhor, o pátio? Que confusão!

Já disse aqui, comparo os serviços da Nascente das Gerais a uma ida a um restaurante de fina qualidade. O freguês paga por todo o cardápio e se fica no antepasto, literalmente “antes do prato”. Usuário da MG-050 no trivial, eu me ponho em alerta e observação. Fazem o pavimento num determinado trecho, não dura muito, volta-se àquele trecho para remendos. Que coisa! Ninguém vê isso? E as espessuras para compactação de camadas superiores, as destinadas a resistir às ações do tráfego? Como ficam os rolamentos para conforto e segurança? E os acidentes?

Estamos tão acostumados a fake news que uma a mais não faz diferença. Como assombrações vão continuar aparecendo para quem se propõe a vê-los, sou capaz de jurar – de pés juntos – que acreditei em todas as palavras do discurso de Jair Messias Bolsonaro, quando da Cúpula de Líderes Mundiais sobre o Clima, especialmente quando disse “à luz de nossas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima”.

Eita! Não há clima, Senhor Presidente! Desse jeito o dinheiro não vai chegar. Desmatamentos são detectados do alto! As coisas, então, ficam combinadas nesse plano. Entre miríades de informações emitidas e desmentidas, muitas das quais circulam livremente pelas redes sociais, uma história a mais outra a menos, dessas difíceis de acreditar, o melhor é deixar ficar como está para ver como é que fica. Se é que vai ficar. Deus nosso de cada dia! Que bagunça!

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna.