Opinião

O mineiro Romeu Zema

POR GILBERTO ALMEIDA / ESPECIAL

26 de agosto de 2021

“Não me envolvo em intrigas palacianas, fui meleito para governar Minas Gerais e não para ficar avaliando presidentes e o STF.” – Romeu Zema – Governador de Minas Gerais As manifestações previstas para acontecerem no próximo dia 7 de setembro, não podem ser rotuladas como um movimento antidemocrático e até mesmo fascista como tem sido colocado pela esquerda brasileira e até mesmo por parte da mídia.

O Presidente Jair Bolsonaro, dá motivos de sobra para receber críticas, tanto por suas declarações intempestivas e até mesmo impróprias, como também por trapalhadas tanto de seus filhos como também dele próprio, contribuindo para impor dificuldades na harmonia política necessária para que o Brasil prossiga realizando reformas, sem as quais persistiremos amarrados à pecha de terceiro mundo, ainda que potencialmente sejamos uma Nação fadada a ocupar maior destaque internacional, como aliás, o imperador D. Pedro II nos elevou à condição de 4ª potência mundial.

É preciso também deixar claro que, como revanche, a grande imprensa omite ou habilmente esconde nas entrelinhas dos jornais, todo e qualquer ponto positivo do governo, que sem dúvida existe, seja o governante que for. Assim, o governo federal sofre diariamente um desgaste, que contribui para ampliar sua rejeição popular, mostrada por alguns institutos de pesquisas que também historicamente têm “errado” pesquisas, curiosamente sempre a favor de nomes da esquerda. Tive o cuidado de analisar o resultado das pesquisas do DataFolha e invariavelmente os erros foram sempre mostrando índices favoráveis ao mesmo grupo político, o que tem também provocado descrédito daquilo que deveria ser construído com critérios exclusivamente científicos.

Mas voltando ao 7 de setembro, entendo que será o momento de Jair Bolsonaro mostrar que tal desgaste pode estar sendo manipulado e se apresentar com apoio popular, no caso das manifestações atingirem as dimensões que vem sendo propaladas por seus organizadores, correndo também riscos em caso de resultado inverso. O cuidado que os manifestantes devem ter é o de não permitir que grupos extremados conduzam os motivos da manifestação para acirramento maior ainda do ambiente político nacional, mas sim o de mostrar o desejo popular de não permitir que encenações que beiram ao ridículo, como por exemplo a patética CPI do Covid, manipulada por personagens execráveis da política nacional, que prefiro sequer citar seus nomes por razões higiênicas, mas que em um golpe de varinha de condão são tratados de forma absolutamente incompatível com seus currículos.

Será inadmissível também que o porte da manifestação não seja considerado um recado aos políticos e às instituições, sem permitir que eventuais excessos por parte de uma minoria radical maculem a voz popular. Que seja dado o mesmo tratamento a esses radicais ao que merecem com os extremistas das manifestações de esquerda, que praticam impunemente atrocidades e vandalismos impunemente e sem nenhuma repercussão nos meios de comunicação social.

Dentro deste tom, o governador de Minas Gerais foi cirúrgico em seu pronunciamento em um fórum de governadores na última semana. Com a autoridade de quem governa o Estado politicamente mais influente do país e de onde, historicamente, partem as soluções para os grandes problemas nacionais o governador mineiro afirmou “Eu vejo que há sim uma grande insatisfação de nós, governadores, e da população, com os ataques feitos à democracia. Sei que não temos tido uma boa vontade por parte do poder público federal. Mas questiono aqui o formato, eu vejo que se emitir uma carta, um comunicado, a cada fato, não é satisfatório”.

Com propriedade e no seu jeito matuto que tanto identifica nossa gente, inspirado nas montanhas libertárias de Minas Gerais que ensinam moderação mas também coragem e franqueza, Romeu Zema acrescentou que “se o presidente tem defeitos, quero lembrar aqui, que também deveríamos lembrar os defeitos do Supremo”. E em seguida fez referência às liberações feitas pela Suprema Corte: “Nós sabemos que alguns meses atrás, o STF liberou um bandido de altíssima periculosidade. O Fórum fez alguma coisa sobre isso?” Na fala destemida do governador sobrou também para a Câmara dos Deputados ao citar o “fundão eleitoral” e afirmou mais uma vez que o Fórum não fez nada. “Vamos abrir a pauta também, né?

A posição tomada pelo governador de Minas Gerais vem de encontro aos anseios da população, que não aguenta mais esse malfadado acirramento de ânimos que tomou conta da política e que faz com que a história seja contada através de versões de grupos barulhentos que se arvoram a plantar suas narrativas, como se o povo não tivesse a sabedoria de interpretar os fatos. Zema deu um recado muito claro de que no campo da ética e da honradez não é aceitável tentar manipular a opinião pública e a verdadeira justiça existe, somente quando atua de forma abrangente, com impessoalidade e sem praticar o asqueroso estratagema de “esconder nossos defeitos e realçar e até mesmo amplificar os defeitos de outrem”.