Opinião

O homem que desnudou o capitalismo

15 de Maio de 2021

A humanidade desde seu nascedouro já passou por dezenas e talvez centenas de sistemas e organizações sociais com suas práticas culturais, econômicas e políticas. Mas, sem dúvida que os dois últimos sistemas sócio-econômicos são os mais conhecidos ou estudados pela história, o Feudalismo da Idade Média e o Capitalismo que o sucedeu a partir do século XV e XVI e se estende até aos dias atuais. O capitalismo que sucedeu ao feudalismo já passou por várias fases, a saber, Revolução Comercial seguida do Colonialismo do século XVI ao XVIII, a Revolução Industrial século XVIII e XIX, Capitalismo Imperialista até meados século XX com fim na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A partir de então, entra em sua fase de decadência que somente através da análise pelo prisma da história é possível detectar este processo final do capitalismo que se arrastará pelo resto do século XXI. O capitalismo não é o fim último da história, pois como todos os demais processos que o antecederam, o capitalismo teve o seu começo, apogeu e seguramente caminha agora para o ocaso. O capitalismo em suas origens ali por volta do século XIV, finais da Idade Média, surgiu como força propulsora de um novo mundo, de uma nova sociedade mais opulenta e com um sistema produtivo e distributivo capaz de satisfazer todos os anseios da humanidade.

Só que não! Não demorou muito para o capitalismo mostrar que não era tão diferenciado assim dos sistemas anteriores. Tanto que no século XVIII apareceram os primeiros pensadores criando alternativas ao sistema capitalista, os chamados “socialistas utópicos”. A mais profunda semelhança do capitalismo com os sistemas anteriores é a manutenção da superposição de uma classe social sobre as demais. Em outras palavras a permanência da luta de classes geradora dos conflitos constantes uma vez que mantém a concentração de riquezas somente para uma classe, a burguesia. É exatamente sobre esta conflitante relação entre capital versus trabalho, ou seja, entre a burguesia e o proletariado que forma a massa de trabalhadores assalariada que ensejou a mais importante e profunda análise histórica sobre o capitalismo.

Em 5 de maio último completou 203 anos do nascimento de um alemão de ascendência judaica chamado Karl Heinrich Marx. Ele, Karl Marx, faleceu em 1883, não foi um simples pensador, tanto que passados 138 anos da sua morte ele continua tão vivo que basta citar somente o nome “Marx” para ser reconhecido em todo o mundo. Karl Marx juntamente com outro filósofo também alemão o Friedrich Engels (1820-1895), criaram a mais eficiente teoria para interpretar, analisar e transformar a história da humanidade, teoria esta conhecida como “materialismo histórico ou científico”. Marx em sua obra “O Capital” lançada em 1867, desnuda o sistema capitalista desde as suas aparências charmosas superficiais até as suas entranhas mais perversas de exploração e expropriação da “mais valia” dos trabalhadores. E Marx entrou para história de forma tal que não mais depende de ser amado ou odiado pela sua obra e pelas suas previsões sociais de que o capitalismo será substituído por uma sociedade melhor. Aqui já nem importa mais que o nome que Marx e Engels assumiram para esta sociedade seja socialismo, até porque segundo a ideologia marxista o socialismo é apenas uma etapa passageira para o comunismo.

Não é impressionante, que passados 173 anos da publicação do mais importante documento em favor das classes trabalhadoras produzido por Marx/Engels, o “Manifesto Comunista – 1848”, ainda apavora as sociedades capitalistas em todo o mundo? Por ironia da história os maiores divulgadores do marxismo, por falarem tanto em comunismo, hoje século XXI, parte da direita da supremacia branca diretamente da nação líder do capitalismo internacional, os EUA? Explico. A propaganda anti-marxismo na qual difunde uma teoria conspiratória chamada “Marxismo Cultural” criada em 1990 nos círculos conservadores da extrema-direita dos EUA tomou um grande fôlego durante o governo Trump. Tal teoria do “Marxismo Cultural” insiste em divulgar que o mundo Ocidental e cristão está totalmente dominado pela infiltração das idéias do comunismo nas escolas, universidades, também na grande mídia global ou internacional. Jornalistas, professores, intelectuais e até grandes magnatas norte-americanos tais como Bill Gates e George Soros segundo tal teoria são os difusores do marxismo pelo mundo. Patético esse pessoal, aqui no Brasil representado por Olavo de Carvalho e seus discípulos entre os quais Jair Bolsonaro e filhos! Essa gente vê comunista até debaixo da cama.