Opinião

O Brasil precisa de Minas Gerais

25 de fevereiro de 2021

As Minas gerais têm sim seus encantos. Quem vive cercado de montanhas… aprende a respirar horizontes” – Abraatico. Tenho me desanimado muito com o quanto o mundo está ficando chato! Exageros, radicalismos, maniqueísmo político e intolerância generalizada tem feito cada vez mais, que o ser humano se confine em seu pequeno mundo, sepultando todo o calor humano que, quem nasceu no milênio passado, pode desfrutar. Não que inexistiam problemas, guerras e discórdia, mas havemos de reconhecer que os conflitos não invadiam a intimidade dos lares e das pessoas, debandando para agressões, vitimismo e até mesmo judicialização dos relacionamentos individuais.

Na seara política estamos brincando de Deus e o diabo, revezando as figuras de Bolsonaro e Lula, como se não pudéssemos perceber que nenhum dos dois encara tais personagens. A luta política se tornou uma batalha campal de enxovalhamento onde agressões e injurias são recorrentes.

Voltando na história, nosso país também atravessou momentos de dicotomia política exacerbada que pode ser resolvida com a participação de líderes de grandeza moral e de credibilidade. Após a revolução de 1964, os militares decidiram, ao contrário do que imaginava o Presidente Castelo Branco, suspender as eleições para presidente da república criando um ambiente de grande indignação no meio político.

Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, grandes rivais da política Nacional, criaram a Frente Ampla que embora desfeita pela força, foi o embrião da redemocratização do Brasil, que enfim se concretizou com a aliança de Tancredo Neves e Aureliano Chaves criando a Aliança Liberal e frente Liberal que conduziu Tancredo à presidência em uma transição pacífica e sem traumas.

Mas onde está outro ponto comum destes dois momentos da vida nacional? Exatamente na fundamental participação de políticos mineiros cujas características sempre fizeram a diferença nas grandes transformações do Brasil. As montanhas de Minas ensinam aos mineiros a terem a sabedoria de ter temperança nos momentos certos e a coragem nas horas necessários. E eu, cá do meu canto, andava cismado que depois de Itamar Franco, Minas não mais foi chamada a contribuir com o Brasil, talvez essa a grande razão de vivenciarmos tantas mazelas em um cenário tão contaminado pelo ódio e pelo rancor.

E eis que de Minas Gerais, brota firme e vigoroso um político com capacidade de interpretar e entender o que acontece e mais que isso, retoma as mais honradas tradições da mineiridade, para, ainda em início de sua fulgurante carreira política, imaginar o inimaginável e construir pontes que puderam somar forças que se compõem desde seu partido, o Democratas, passando pelos Bolsonaristas e até lulistas e uma fatia majoritária da esquerda. Qual é o mistério que fez JK se unir ao seu algoz Carlos Lacerda, que fez Aureliano romper com o governo militar do qual era vice-presidente para apoiar Tancredo Neves e que faz agora o senador passense Rodrigo Pacheco conseguir a proeza de conciliar o inconciliável?

A resposta, é claro exige do personagem o perfil pessoal de capacidade e credibilidade, mas sobretudo reside na crença arraigada na alma do mineiro de que é possível trabalhar em prol da Pátria, extirpando do debate político a guerra pelo Poder, mas sim apontando para caminhos, indiferente das divisões existentes, que nos conduzam a momentos de união onde reine a paz, a harmonia e a concórdia.

O senador Rodrigo Pacheco se apresenta como grande construtor de um novo momento que se avizinha no Brasil, de que mesmo pensando diferente, todos têm a contribuir e a construção de políticas públicas só será possível dessa forma. Eu quero por fim confessar aqui, que ando meio desapontado com a política onde voltei a militar depois de 20 anos, em apoio à candidatura dos democratas, único partido de minha vida. Meu desapontamento aconteceu, porque em minha opinião o partido não contou com o apoio esperado do senador.

Entretanto, me sinto obrigado a não deixar que as decisões políticas de campanha, possivelmente tomadas em razão de depoimentos de pessoas de seu staff, me impeçam reconhecer e mais que isto, louvar e admirar o extraordinário feito político do Senador Rodrigo Pacheco, que faz renascer a esperança de que a política não seja tão vilipendiada, tão banalizada. Ouso vaticinar que a postura e as conquistas do ilustre senador o credenciam, desde já, a alçar voos maiores, resgatando o protagonismo de Minas Gerais nas grandes decisões nacionais. O Brasil espera por isso.

GILBERTO ALMEIDA é engenheiro eletricista e ex-político, escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna