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O assunto do momento é a 3ª. Via

24 de julho de 2021

Já coloquei de passagem esse tema sobre terceira via aqui e retorno a ele com mais profundidade, até porque à medida que o tempo passa e se aproxima de 2022, se torna mais veemente tratá-lo com a devida clarividência. Então vamos lá. Por que surgiu esta tese de terceira via? Por causa da dita polarização entre direita e esquerda a partir da eleição de Bolsonaro à presidência. Antes de Bolsonaro ser presidente não existia esta polarização.

Explico: Sempre se convencionou na política brasileira a existência de partidos e políticos da esquerda, da direita e um terceiro segmento chamado de centro, que por sua vez se subdivide em centro-esquerda e centro-direita. Como podemos notar, são tantas vias na política brasileira que procede a uma confusão mais complexa que as cores num caleidoscópio. Esta classificação ou divisão partidária, no entanto, carece de um esclarecimento ou definição de quem é quem no cenário político brasileiro, até porque com exceção dos partidos de esquerda que assumem esta posição, os demais partidos procuram evitar definir seus posicionamentos e aí escamoteiam com as posições de centro. Ser de centro no Brasil é ficar em cima do muro. PT, Psol, PCdoB, PDT, PSB e Cidadania são os partidos mais conhecidos e definidos como de esquerda. PSL com o qual, Bolsonaro chegou á presidência e logo o abandonou, junto ao Republicano talvez sejam os únicos partidos a se definirem como de direita no Brasil. DEM, PSD, PP, PTB, MDB, Novo, Podemos e PSDB somente para citar as chamadas grandes e médias legendas são partidos que abrigam políticos que vão da direita moderada à direita radical, mas preferem serem alcunhados de centro-direita os mais conservadores e de centro-esquerda os mais liberais. Enfim, trata-se de um eufemismo ou uma forma de não se comprometer ideologicamente nem como esquerda ou como de direita, mas no fim sempre estiveram mesmo é a serviço da última. Talvez com vergonha de serem direitistas, vá saber!

Então, de uma vez por todas, esse negócio daí de terceira via no Brasil só se for buscar políticos da Noruega ou quem sabe um extraterrestre, porque qualquer candidato brasileiro que sair do espectro político nacional não será nunca um outsider, ou seja, um fora do complexo ideológico e partidário acima descrito. Jair Bolsonaro afirmou que “não existe terceira via” na política brasileira e que “o povo não engole” a ideia de um nome alternativo para a eleição do ano que vem. Lula disse que a terceira via é um rótulo, “uma invenção dos partidos que não têm candidato” e que todas as siglas deveriam entrar na disputa para testar sua força. A jogada de Bolsonaro é para firmar a ideia de polarização porque ele sabe que um candidato que venha se apresentar como “terceira via” tiraria mais votos dele que do Lula. A tese do Lula é de quem não teme essa jogada de alguns setores da direita que não querem Bolsonaro e nem ele. Enfim, mesmo que venha engrenar um candidato com pecha de terceira via só vai servir de chacota, até porque não há como vender esta ideia ao eleitorado nas eleições de 2022 com os políticos que temos por aí, além de ser uma tese furada num sistema democrático que se preza. Decididamente o Brasil não está polarizado entre dois candidatos, a real divisão que existe no país é entre os que querem ditadura e os que prezam a democracia acima de tudo. Nesta semana mesmo o jornal Estadão/SP informou que o General Braga Neto, ministro da Defesa, em conversa com Arthur Lira presidente da Câmara Federal ameaçou que se não tiver voto impresso auditável em 2022 não teremos eleições. Como se vê, as ameaças contra a democracia que partem de Bolsonaro agora são avalizadas por alta patente do Exército. O ministro Braga Neto veio a público desmentir a reportagem. O “Estadão” manteve a notícia em todos os termos. Tais bravatas estão ficando sérias e perigosas!

Por Esdras Azarias de Campos