Opinião

Nota de repúdio

20 de fevereiro de 2021

O Comitê Intersetorial de Políticas para População em Situação de Rua de Passos vem manifestar seu repúdio às declarações do radialista Dirley Freitas, feitas em suas redes sociais no dia 16 de fevereiro de 2021, em relação à população que se encontra em situação de rua. Ocorre que, tais declarações foram absolutamente desrespeitosas com essa população, mostrando, não apenas seu amplo desconhecimento sobre as pessoas que se encontram nessa condição, como também às políticas públicas vigentes de atendimento, além de seu profundo desprezo pela condição humana.

A população em situação de rua se caracteriza pela pobreza extrema, pelos vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e pela inexistência de moradia convencional regular, utilizando-se, em sua grande maioria, de logradouros públicos e de áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente.

Investir contra essa população que se encontra numa condição totalmente desfavorável, demonstrando anti-humanismo e o mais desrespeitoso posicionamento contra às condições impostas pela sociedade do capital, vai contra o artigo 3º da Constituição Federal, que trata dos princípios fundamentais da República Federativa do Brasil

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Insinuar a realização de uma “campanha” maléfica que vai contra a dignidade da pessoa humana significa não apenas deixar de exercer o seu papel de cidadão e de profissional responsável pela área de Comunicação, que visa os melhores valores humanos, como incorrer em crime previsto pela Constituição Federal.

O conteúdo postado encontra-se a favor de uma política higienista com ideologia elitista, propondo uma limpeza social que tende a esconder as desigualdades sociais, não reconhecendo as pessoas em situação de rua como cidadãos, com direitos reconhecidos constitucionalmente e sujeitos de políticas públicas.

Por fim, o Comitê Intersetorial de Políticas para a População em Situação de Rua de Passos manifesta a sua indignação a tais atitudes e preocupação com relação à esse tipo de publicação irresponsável feita por um profissional formador de opinião, solicitando, ainda, que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais possa tomar as medidas cabíveis.

Subscrevem essa nota: Comitê Intersetorial de Políticas para População em Situação de Rua de Passos – Curso de Serviço Social da Uemg/Passos – Curso de Comunicação Social da Uemg/Passos – Curso de Jornalismo da Uemg/Passos