Opinião

No mar e no céu, exemplo de mulher passense

POR MARCIO NOGUEIRA

8 de março de 2021

Passos é uma cidade interessante. Seu povo é festeiro e sua gente progressista. Tem pessoas sérias e outras brincalhonas. As mulheres da minha terra têm qualidades que são inigualáveis. Desde 2015 me refiro a uma ou várias delas através do jornal Folha da Manhã. Já escrevi sobre Terezinha Spósito, Bernadete Lemos, Silvia Macedo, Renuza Teixeira, As Sete Estrelas – Julinha, Sirlene, Glauce, Neila, Marisa, Labib e Mariângela -, Leila S. Pádua Andrade e Orlanda Nascimento Andrade.

Seguindo essa tradição analisei vários nomes, entre tantos talentosos e importantes e reconheci que Maris Celis Lemos tem o perfil para merecer ser destacada entre tantas mulheres de Passos. De simplicidade marcante e idealismo atuante ela entendeu desde jovem, que o trabalho dignifica o ser humano, eleva a alma, produz frutos e gera alegria.

Não satisfeita em apenas trabalhar, Maris Celis entendeu que educar é um ato de formar pessoas. Desde cedo passou a dar aulas particulares em casa. Teve aí o seu primeiro sucesso na vida. Não satisfeita, iniciou os cursos preparadores para concursos. E, não satisfeita ainda, passou ministrar cursos de pré-vestibular. Foi além, criou o Instituto Maris Celis que iniciou com o ensino infantil, passou ao ensino fundamental e médio sem abandonar o pré-vestibular.

Com a modéstia que sempre a acompanhou viu seu trabalho ser reconhecido como referência regional.
Não satisfeita em educar, fez o seu aperfeiçoamento cultural superior na hoje Uemg. Ela não se casou apenas com o trabalho, passou a repartir sua vida com João Eudes, autor de “Clarice”, canção vencedora do 1º Festival da Canção de Passos, que nos deixou a algum tempo atrás. Tem dois filhos que certamente herdaram seu talento e prosseguirão nessa missão de educar os filhos alheios. É uma mulher plena: boa filha, mestre, esposa e mãe, qualidades desejadas e perseguidas pelas pessoas de bom senso como sempre foi a Maris Celis, nossa homenageada neste Dia Internacional da Mulher.

Foi além. Nunca satisfeita com o muito que produz, reuniu com outros colegas, mestres como ela, e fundaram a Faculdade de Inovação e Tecnologia de Minas Gerais, onde se ministra cursos técnicos e superiores. Fabio Pimenta Kallas é um de seus sócios nesse empreendimento cultural. Ela idealista e empreendedora, ele excelente administrador e professor. Essa faculdade engrandece a ela e mais ainda a nossa cidade.

Ufa! Idealizar, educar, agir e trabalhar é com ela. Certamente ela ouviu o conselho de Confúcio, que viveu nos anos 551 a 479 a.C. que disse o seguinte: “Escolhe um trabalho que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”. Estive analisando o nome da homenageada: Maris é mar. Celis é céu. Calha bem nela que tem uma cultura profunda e uma simplicidade celestial. Tem a profundidade dos mares ao servir e amor para espargir pelos céus.
Seus pais souberam escolher um nome bonito e original e ela soube dignificá-lo com altivez, trabalho e talento.

Busquei as qualidades de educadores do meu tempo para a esculturar Maris Celis, o que não foi difícil. Ela tem a didática do Professor Armando Righeto, o idealismo educacional do Dr. Breno Soares Mais, audácia para ampliar a educação para maior número de jovens estudantes do Dr. Nilton Santos de Brito, a competência cultural da Gilda Parenti, a meiguice da Maria Helga Pereira e a simplicidade do Professor Francisco Soares de Melo. Aí está o retrato de uma passense que tem o mar e o céu no seu nome, que sabe a que veio e sabe para onde vai. Maris Celis, Passos gosta de você.

MARCIO NOGUEIRA, sociólogo, escreve excepcionalmente hoje, véspera do Dia Internacional da Mulher, no lugar de Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho