Opinião

Neoliberalismo e injustiça social

POR ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS

16 de outubro de 2021

Economia é uma ciência que apesar de estar no campo das ciências humanas, no entanto depende das ciências exatas para se expressar. Em teoria as Ciências Econômicas lidam com processos de distribuição de renda, produção de bens e serviços. Portanto é uma área que requer muito conhecimento matemático e um bom entendimento de Ciências Humanas e Sociais. Até aqui como se trata de definições e teorias é fácil saber o que é Economia, o problema começa quando na prática ela se torna Economia Política, aliás, este é o nome correto segundo os pais ou criadores desta ciência tais como Antoine de Montchrestien criador original do nome sacramentado por Adam Smith. Atualmente o termo economia política é utilizado comumente para referir-se às relações entre as instituições públicas e privadas e suas influências na conduta dos mercados. E como influenciam!

É quase uma obrigação entender o economês, essa linguagem dos economistas muito utilizada nas mídias universais. A partir daí, então como diz aquele ditado popular, que de “médico e louco todo mundo tem um pouco” de economista também, o que de nada nos adianta porque como se sabe, na teoria a prática é outra. Isto porque na prática a economia mundial é semelhante a uma “Biruta” um antigo aparelho usado em aeroportos para indicar a direção dos ventos. Como os ventos mudam de direção a todo e qualquer momento, a biruta fica girando para todos os lados igualmente uma tonta. Assim, também ficamos todos nós como birutas a cada mudança dos vários segmentos do mercado que são como os ventos da economia. Segundo o conceito da “mão invisível”, de Adam Smith, o mercado livre se auto-regularia, sem a necessidade da intervenção do Estado.

Esta teoria foi abraçada pelo capitalismo com o nome de liberalismo econômico, desde o lançamento do famoso livro “A riqueza das nações” de Adam Smith, publicado em 1776. O liberalismo perdeu forças no século XX, devido às constantes crises cíclicas do sistema capitalista, uma vez que as crises eram e continuam sendo socorridas através da intervenção do Estado, como aconteceu na crise econômica de 1929. Como os capitalistas não bobos nem nada, substituíram, ou melhor, dizendo, maquiaram os conceitos liberais e agora chamam de neoliberalismo, com a seguinte premissa econômica e social que se manifesta em defesa do Estado mínimo, que seria a menor intervenção possível do Estado na economia. Na verdade o que o neoliberalismo gerou desde sua assimilação nas décadas finais do século passado: Economia instável; salários baixos; fluxo de capital invertido; Dependência do capital internacional, principalmente nos países mais pobres e ou em vias de desenvolvimento como é o caso do Brasil. E os males do neoliberalismo não param por aí, além disso, a abertura do mercado financeiro gera um aumento considerável da desigualdade social na população do país.

Segundo os teóricos anti-neoliberalismo, as políticas de austeridade, que frequentemente reduzem o tamanho do Estado, não somente “geram custos sociais substanciais”, mas também “prejudicam a demanda”, além de aprofundar o desemprego. Não é mera coincidência que a situação dramática da economia brasileira piorou e muito com a política econômica neoliberal do ministro Paulo Guedes. A mais influente corrente da teoria econômica neoliberal parte da Escola de Chicago que por sua vez assimilou os conceitos e teses da chamada Escola Austríaca cujo principal expoente é Ludwig Von Mises.

Selecionei abaixo algumas pérolas deste pensador para sentirem o quanto suas teorias colocam o mercado acima de tudo e de todos: “Não há direitos fora das leis do mercado. A desigualdade e a exclusão nada têm a ver com injustiça social. A pobreza não é um problema ético, mas uma incompetência técnica. O maior erro dos opositores do capitalismo é a acusação de injustiça social baseada na ideia de que a “natureza” concedeu a todas as pessoas certos direitos só pelo fato de terem nascido”. “O imposto é uma forma de confisco da propriedade. Portanto, nem saúde, nem educação, nem previdência, nem segurança pública, nem justiça se legitimam enquanto financiados pelo Estado. Os pobres são indivíduos que por culpa própria perderam a competição com outros. Assim, o mérito emerge como único critério de ascensão social.” Aí está porque este projeto de sociedade é chamado frequentemente pelo Papa Francisco de, “anti-vida”, “assassino dos pobres e da natureza”.