Opinião

Maturidade para governar!

POR GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA

25 de março de 2021

Ao cobrar impostos e ao tosquiar ovelhas, é bom parar quando você chega à pele.” – Austin O’Male. Hoje em dia, o que mais se houve falar sobre as administrações públicas é que estamos vivendo o advento de uma nova política, onde as práticas até então presentes no cenário das entidades públicas, serão sepultadas vivendo uma administração otimizada e corrigindo seus vícios e resquícios do velho coronelismo, impregnado no DNA dos gestores e até mesmo da população.

Na melhor das intenções, escolhem assessores neófitos e desprezam completamente técnicos e profissionais com passagem por cargos e funções públicas ou até mesmo pessoas mais velhas. Imaginam que buscar o novo significa desprezar a experiencia vivida e acabam por construir armadilhas que muitas vezes podem gerar problemas.
O que o Brasil precisa é de pessoas que têm a mente voltada para mudar as mazelas políticas brasileiras, mudar esta triste realidade, tendo mentes arejadas e comprometimento político e social compatível com as exigências da população.

Me alegro e entusiasmo muito quando percebo jovens participando da política e das administrações, sinal de que renovaremos os governos, traremos o frescor e o entusiasmo que precisa sempre existir. Mas este não deve ser o único vetor para montar equipes porque é inegável que mesclar, escolhendo também com pessoas experimentadas e que conhecem os meandros da vida pública, certamente vão gerar uma argamassa interessante para construir com segurança a edificação do novo. Apenas como exemplo, em minha passagem pela vida pública, cito aqui as lições preciosas que tive o privilégio de receber do melhor Secretário de Planejamento que Passos já teve, Dr Roque Gioachino Piantino.

Após cumprir brilhante carreira em Furnas e se aposentar, o Dr Roque exerceu esta pasta no governo Nelson Maia e mesmo já tendo cumprido sua carreira profissional até o seu topo, o Mestre Roque Piantino, mostrou sua mente arejada e aberta à evolução, seu entusiasmo de jovem presente em suas atitudes e seu desejo de contribuir com sua terra e mais que isso, orientando, contendo arroubos juvenis, sendo, usando a alegoria do futebol, o líder, o capitão do time pela credibilidade e respeito que era merecedor e foi capaz de edificar importantes ações de governo e conter erros que pela sua vasta experiência sabia antecipar.

Analisando o governo atual, fica patente que o Dr Diego pode ter cometido este desacerto ao nomear bons nomes novos, na concepção exata da palavra, sem, no entanto, se preocupar em contar com nomes experientes e afinados com sua diretriz de governo, o que, inegavelmente anteciparia a maturidade de sua equipe, obtendo, mais rapidamente, uma maior capacidade de governar.

A inexperiência pode causar tomada de decisões equivocadas, como aconteceu nos últimos dias com lançamento e cobrança do IPTU 2021, cujos índices de correção, segundo afirmou o Secretário Municipal da Fazenda ao se apresentar aos vereadores da Câmara Municipal, não foi escolha da Administração, mas sim imposição de uma lei complementar de 2013 e que resta ao governo atual obedecê-la para não configurar renúncia de receita, condenada pela Lei Fiscal.

Tenho a mais absoluta certeza que o Dr Diego acreditou nisto e a contragosto se sentiu obrigado a impor um tributo escorchante e com parcelamento mais rigoroso, em plena pandemia onde muitos passenses estão sofrendo imensamente os efeitos da recessão, do desemprego, da miséria e até mesmo da fome.

Para sua tomada de decisão, faltou uma voz experiente, quem sabe de seu principal apoiador na campanha, Hélvio Vieira Maia, que embora não aceite ocupar cargos, certamente colaboraria com seu conhecimento de Administração Pública para evitar falhas grotescas como esta. Muitas vezes os jovens ao assumirem funções importantes, se envaidecem e a pergunta que fica é se aceitariam a voz do velho e experiente companheiro ou se continuarão na jactância do recém-encerrado condado dos Pavões?

A tal lei complementar (LC45/2013) citada pelo Secretário, foi posteriormente alterada (LC 50/2015), para postergar os reajustes altos em um ano de dificuldades, usando de formas compensatórias que possibilitou a não configuração de renúncia de receitas. A simples observação dos fatos passados já poderia dar a senha para que o Dr Diego, se livrasse do pesado, e até cruel fardo de impor majoração de tributos, em um momento em que para muitos fica impossível de cumprir.

Antes que o Prefeito seja orientado de que o IPTU já foi lançado e por isso mesmo não há o que fazer, fica a sugestão de envio de projeto de lei à Câmara Municipal permitindo um desconto no pagamento, transferindo para mais adiante a necessária correção, livrando assim da pecha de omissão tributária. Senhor Prefeito, ouça a “voz rouca das ruas“! A solução depende de sensibilidade e vontade política, porque, certamente Vossa Excelência contará com a boa vontade dos edis em aprovar rapidamente tal lei.

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA é engenheiro eletricista e ex-político, escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna