Opinião

Justiça desafinada

POR PAULO NATIR

6 de abril de 2021

É no mínimo muito duvidosa a decisão da Segunda Turma do STF, no mês passado, que reconheceu a parcialidade do juiz Sergio Moro nas ações envolvendo o ex-presidente Lula – no âmbito da operação Lava-Jato. Por 3 x 2 os ministros entenderam que Lula não teve um julgamento justo em Curitiba (PR).

A decisão foi muito comemorada pela defesa de Lula – que sempre destacou a parcialidade do ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. A pergunta que fazemos é muito simples: Por que somente agora, aos 45 minutos do segundo tempo o STF decide que Moro foi parcial? A Lava Jato vem varrendo a corrupção brasileira há sete anos. De repente o juiz Sérgio Moro – que era um herói nacional – passa a ser bandido e o ex-presidente Lula fica sem condenações – podendo inclusive se candidatar nas próximas eleições presidenciais.

Essa decisão judicial é um grande tapa na cara dos brasileiros. A operação-Lava já realizou mais de 70 fases. Prendeu uma turma de políticos e grandes empresários que nunca haviam passado na porta do sistema prisional. Essa malfadada decisão pode interferir em todas as sentenças dessa grande operação da Polícia Federal que – vinha lavando a alma dos brasileiros.

Nós sabemos que os ex-presidentes gozam de algumas regalias. Não é qualquer tribunal que pode se encarregar de julgar um ex-chefe de Estado. A credibilidade da operação foi fragilizada quando foram divulgadas ligações telefônicas de procuradores federais com o juiz Sérgio Mouro. A defesa do petista sempre deixou claro que as autoridades judiciais não estavam respeitando o devido processo legal.

Lula, que não tem nada de inocente, denunciou a chamada “República de Curitiba” em diversos fóruns internacionais que defendem os direitos humanos. Acredito que os ministros do STF foram enquadrados pela direção desses órgãos internacionais e mudaram seus julgamentos. Pelo menos a ministra Carmem Lúcia mudou…

Esse processo ainda vai render muitos debates jurídicos. Ele mostra claramente falhas ou equívocos que jamais poderiam ocorrer segundo a Constituição brasileira. Os brasileiros também não vão esquecer a enorme ladroagem flagrada principalmente na Petrobras. Foram desviados milhares de dólares no episódio conhecido como Petrolão. O que também não podemos esquecer é que Sérgio Moro foi nomeado ministro da Justiça no governo que, por tabela, ele ajudou eleger. Com a palavra o pleno do STF, ou seja, todos os ministros. Boa Páscoa a todos.

PAULO NATIR é jornalista.