Do Leitor

Primeiro mundo

8 de fevereiro de 2021

Parece que o Brasil é um país de primeiro mundo, com essa legislação que não combina com o nosso subdesenvolvimento. Na semana que passou um cidadão foi preso em Passos por desobedecer a Lei Sansão. O custo mobilizado por tamanha afronta à lei, com autoridades do legislativo, do judiciário e de segurança, custo do transporte do ‘preso’ para outra cidade etc etc, se colocado tudo na ponta do lápis, custearia a criação de um canil municipal – que não existe.

E quem vai fazer as autoridades cumprirem essa determinação da lei que obriga o município a ter um canil? O que causa espécie é mais uma vez ver a “lei” implacável punir os menos favorecidos, enquanto corruptos, ladrões de colarinho branco, motoristas assassinos que sequer chegam a ser presos continuam sendo beneficiados pelas brechas de nossas leis? Ah! se todas as leis fossem tão implacáveis como esta Lei Sansão!

José Antonio – Passos/MG


Escancarada desigualdade

Com a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as desigualdades preexistentes e acentuadas pela pandemia se escancaram. Diversos estudantes que realizam o exame não tiveram acesso à internet; assim, não puderam estudar durante o ano de 2020. Tal situação é uma das principais pautas na discussão no retorno das aulas presenciais. Contudo, um outro grupo muito importante é prejudicado pela pandemia: as crianças pobres e em primeira infância.

Esse é um dos períodos mais importantes na formação de um indivíduo. O investimento nesse momento é essencial para que a criança tenha as melhores oportunidades educacionais e profissionais possíveis no futuro. Além disso, creches e jardins de infância possibilitam que os pais possam trabalhar, possibilitando, assim, um incremento na renda da família. Com a pandemia, muitas crianças nesse período deixaram de ter atividades educacionais, muitas vezes esquecendo como escrever o próprio nome. É necessário se lembrar desses fatores na discussão sobre a volta às aulas, para que não tenhamos mais gerações perdidas no abismo de desigualdade que é o Brasil.

João Pedro Freitas – Belo Horizonte/MG