Do Leitor

Do Leitor: O sorriso da romã

8 de abril de 2020

Nesses dias de confinamento, fui descobri que minha casa,  embora pequena, tem tudo que eu preciso e talvez, mais do que eu mereça. Nesse momento de quarentena, onde a responsabilidade fala mais alto, estamos aproveitando pra visitar cômodos, que na  correria estavam abandonados. Estamos tendo a oportunidade também de prestar mais atenção em vários detalhes, antes ignorados.

Ontem ao abrir a porta da sala dei de cara com o pé de romã, que fica num pequeno jardim na frente da casa e prestando mais atenção percebi uma linda romã sorrindo pra mim, escancaradamente.  Sabe quando essa fruta trinca de tão madura e fica parecendo  uma boca aberta cheia de dentes vermelhos ? Pois é, foi assim.

Naquele instante pensei comigo qual seria a razão de um sorriso tão regateiro num momento de tanta dificuldade pra todos nós? Dei meia volta e fui até o pomar que fica no quintal misturado com um bonito pergolado de madeira, a fim de verificar o  comportamento das outras plantas, e assim depois veria o que  fazer para estancar o sorriso petulante da romã.

Pra minha surpresa, o pé de pitanga, já em inicio de produção me olhava com dois olhos vermelhos e felizes como a me dizerem… sorria, estamos de volta. Voltei os olhos para o pé de araçá e duas lindas e saborosas frutas madurinhas, fora as outras ainda verdes, pedindo passagem. A mixiriqueira e o pé de lima , que são as caçulas de lá, já se apresentavam cada qual com uma flor sinalizando frutas pra logo.  A acerola era uma alegria só, um belo colorido de verde e vermelho de dar inveja.

A surpresa ainda foi maior quando fui em revista às orquideas,   plantadas em 3 sapatinhos, lembrança de holambra, presentes inesquecíveis de um coração amoroso, que já deixa saudades, todas elas com  belas flores, também a sorrirem pra vida.

Me assentei no banco do pomar e me coloquei a refletir nesse contraste de tristeza,  preocupação e medo de nossa parte, com a alegria e elegância das flores e frutas, mesmo num momento de insegurança por que passa o planeta.
Essa reflexão me fez voltar ao pé da romã e, em vez de estancar, fui agradecê-la pelo sorriso despertador que me fez entender que toda essa alegria faz parte da obra de Deus e, essa obra não para, porque Deus também não para.
E, se Ele não para, nós também não temos o direito de parar ou desistir, independente do que nos aflige, sobretudo, porque somos obras vivas de Deus.

 

Carlos Valente – Passos/MG