Do Leitor

DO LEITOR

Opinião

14 de setembro de 2021

Proteção à confiança

Ajudando na tarefa do meu neto, de 7 anos, batemo-nos, eu e ele, com o conto do Flautista de Hamelin. Na tarefa, duas indagações: “o que você achou da atitude do prefeito em não querer pagar o valor ajustado para desaparecer com os ratos da cidade”; e “o que justifica o entendimento”. Pela idade do neto, tive que auxiliar na segunda resposta; a primeira, mesmo considerando a tenra idade, era óbvia. Na resposta, disse que na vida é fundamental a confiança: confia-se no sinaleiro vermelho, na segurança da ponte e nos freios do carro, na promessa feita, na palavra dada. Como transmitir a lição quando ela não se conforma com a realidade? A situação atual lembra a mitológica Penélope; o que fazia de dia, desfazia à noite. É infinitamente mais fácil confiar nos freios do carro do que naquilo que disse o governante ontem. Essa desconfiança nos leva ao “vale tudo”, quando os escrúpulos rapidamente saem pela janela, tão duramente ali cultivados.

Raul Moreira Pinto – Passos/MG


Esperança de mudança

Sou da terceira idade, com garantia vencida. Todo dia para mim é um presente de Deus. Está difícil, mas ainda não perdi a esperança, está difícil de o Brasil ser o dos nossos sonhos, com honestidade, os poderes constituídos priorizando o Brasil, adotando “o que eu posso fazer pelo meu País, ao contrário do que eu posso obter do meu país” e punindo com rigor a bandidagem, a corrupção. A partir de 2014 acendeu a luz no fim do túnel. Nas ruas o povo feliz, entusiasmado com o sério combate à corrupção, a virada de jogo. Os graúdos, certos da impunidade, ficaram expostos, presos e, após exercerem o exaustivo direito constitucional de defesa, 174 deles foram condenados. O tempo passou, estamos em 2021 e, ao invés de crescente rigor com a bandidagem, acontece o contrário. O pessoal no poder amarelou, mudou de lado. Os mocinhos da ação justiceira que desvendou a corrupção estão sendo tachados de bandidos, e os bandidos inocentados. Justo quem deveria apoiar, dar sequência no combate à criminalidade, age às avessas, como se fosse advogado dos malfeitores, expondo e criminalizando os nossos heróis justiceiros que nos deram esperança. Infelizmente é triste a nossa realidade. O que estava ruim antes de 2014, ao exaltar os malfeitores, tende a piorar além do que fora outrora devido a injustiça da Justiça.

Humberto Schuwartz Soares – Vila Velha/ES


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