Do Leitor

Demissão de empregados

23 de fevereiro de 2021

J. R. Guzzo (Opinião, “MPT se volta contra o trabalhador”, sexta-feira, 19/02/2021 – página 3) dá enfoque equivocado à questão do apenamento ao empregado por recusa a vacinar-se. Na verdade, ela é derivada de outra questão maior: a legitimidade de imposição de medidas destinadas a estimular ou mesmo coarctar as pessoas a se vacinarem. O STF já sinalizou pela legalidade de tais medidas. Apesar de a iniciativa ter vindo do MPT, busca o entendimento do órgão um objetivo sanitário: evitar a propagação da doença, que é lícito, além de desejável.

É dever de todos, sem exceção, colaborarem com as autoridades da Saúde, independentemente de serem empregados ou não. Não vejo como a submissão à vacinação atrapalhe a manutenção do emprego; aliás, o raciocínio é exatamente o contrário: é de interesse do empregador ter nos quadros da empresa trabalhadores imunizados.

O colunista tentou tergiversar, misturando uma grave situação de ausência de emprego por causa da epidemia com a possibilidade de dispensa de trabalhadores recalcitrantes à vacina; aliás, o vírus é o maior causador da extinção de empregos, até pela morte do obreiro. Ao fim e ao cabo, o jornalista trabalha contra a vacinação, não conseguindo esconder a sua orientação ideológica no ataque ao MPT.

Raul Moreira Pinto – Passos/MG


Nada mudou!

Deu a lógica e a prisão de deputado Daniel Silveira ( PSL-RJ) foi ratificada pela câmara. A celeridade desse caso foi espantosa, excepcional e fugiu à regra. O senador Chico Rodrigues, famoso pelo dinheiro nas partes íntimas, retomou seu posto como se nada tivesse ocorrido e a deputada Flordelis, suspeita de participação em assassinato, continua livre.

O ministro Alexandre de Moraes, que dispõe do seu próprio A-I5,saiu fortalecido do episódio e se sentirá muito mais confortável para intervir no Executivo e Legislativo, apesar da fala de abuso de autoridade do presidente da câmara Arthur Lira (PP-AL). Esse é o Brasil que não queremos.

José Alcides Muller – Avaré/SP