Do Leitor

A graça de cada um

13 de março de 2021

Vi tanto discurso, texto, charge, aqui mesmo, neste diário, que penso naquela pessoa distante, agora indiferente; e até feliz – que não fica triste nem indignada do Brasil estar em frangalhos e ter tribunais ou uma instância qualquer, que faz o que o TRF-4, sob as barbas do Supremo que, surgindo da órbita de Saturno; cinco anos atrasado, lança luz – e só agora; no iluminado.

Essas pessoas sumiram, falam agora sobre a fossa das Marianas, onde enfiam suas cabeças, mas não ousam fazer mais suas gracinhas no jornal. Curioso essas pessoas não se sentirem fraudadas por terem defendido erros, crimes sucessivos; terem feito de um juiz ladrão um pseudo herói que virou ministro de um miliciano – que votaram ou contribuíram para a sua eleição com suas posturas infelizes; juiz ladrão que foi demitido pelo filho de sua obra fraudulenta, o próprio miliciano.

Moro, num país tropical, que nem juiz é mais foi empregado e demitido pelo outro que nunca foi ou seria presidente sem o um.
O boçal que o demitiu jamais seria presidente sem ele e ele jamais teria sido ministro sem o boçal. O país está em pane geral, já quase bugado.

Óbvio que tem coisa pior que os dois juntos, que pariu os dois por acidente. Então, se fizeram isso com um ex-presidente; pra atrasar o lado de uns; ou adiantar o lado de outros; ou o próprio lado; imagine o que fazem com você, numa cidade qualquer, por conta de um interesse que esbarra no seu.

A menos que você sinta dentro de si que mesmo que não precise, mas que se precisar é só procurar um desses aí. Sinta que faz parte ou é amigo de uma instância qualquer, de um TRF-4 da vida. Se conta com isso tu és um desgraçado.

Ricardo Piantino – Passos/MG


Mocinho e bandido

Num piscar de olhos, o ficha-suja condenado Lula de bandido vira mocinho, e o mocinho paladino da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro, de xerife vira bandido. Só mesmo no Brasil, onde o impossível acontece e o rabo abana o cachorro.

J. S. Decol – São Paulo/SP