Do Leitor

27 anos sem Ayrton

3 de Maio de 2021

Neste 1 de maio, faz 27 anos que o piloto brasileiro de F1 Ayrton Senna da Silva faleceu. Sua morte ocorreu quando ele disputava a corrida de Ímola, na Itália. Era a 3ª corrida do campeonato do ano de 1994, Senna corria pela equipe Williams e o acidente aconteceu na 7ª volta, na terrível curva do Tamburelo, às 09h17min, horário de Brasília, 14h17min, hora da Itália.

Devido à gravidade dos danos que o piloto sofreu em sua cabeça, um helicóptero posou na pista e o transportou para o Hospital Maggiore de Bolonha, onde foram constatados gravíssimos danos cerebrais, com diversas fraturas na base do seu crânio e perda de massa encefálica e após diversos exames, ficou constado que a Medicina não poderia fazer mais nada. O repórter Roberto Cabrini, da Rede Globo, em diversos boletins ao vivo, informava a situação do quadro de saúde do piloto e a cada intervenção era uma notícia pior do que a anterior.

Primeiro foi anunciado a sua morte cerebral e às 13h40min horário de Brasília, 18h40min hora da Itália, Cabrini anunciou do Centro de Reanimação do Hospital Maggiore a morte do brasileiro, com a seguinte frase: “ Morreu Ayrton Senna da Silva, uma noticia que a gente nunca gostaria de dar…., morreu Ayrton Senna da Silva”.

Senna foi vítima de uma terrível fatalidade. Após diversas perícias no carro do brasileiro ficou provado que a coluna de direção de seu Williams quebrou pouco antes dele entrar na fatídica curva. Esta peça estava dificultando a sua pilotagem o que o levou a pedir aos seus engenheiros que a modificassem. Ela não foi modificada, apenas alterada com uma solda.

Após bater contra o murro, a cerca de 200 Km/h, uma parte do braço da suspensão direita ainda com o pneu funcionou como uma lança e atingiu a viseira do capacete do piloto, acima do olho direito causando os ferimentos gravíssimos que causaram a sua morte. Se esta peça tivesse batido no capacete poucos centímetros acima, ele sairia andando do carro, pois ele não sofreu nenhum outro ferimento em seu corpo.

Senna surgiu para a F1, no ano de 1984, na Tolemam e já em seu ano de estréia por uma equipe pequena fez ótimas corridas. Em especial a ontológica de Mônaco, quando largou em 13º lugar e debaixo de um dilúvio deu um show e quando iria assumir a ponta a corrida foi interrompida devido às péssimas condições da pista e o piloto ficou em 2° lugar que lhe valeu mais do que uma vitória.

De 1985 a 1987, Senna correu pela Lotus e lá conseguiu a sua primeira vitória no Gp de Portugal, justamente no dia 21 de abril, de 1985, data em que se comemora a morte de Tiradentes, que era um dos membros da Inconfidência Mineira que lutava contra o julgo dos Portugueses.

De 1988 a 1993, Senna foi para a McLaren e lá havia um excelente piloto: Alain Prost e os dois tiveram duelos históricos. Com certeza foi a melhor dupla de pilotos que uma equipe teve na história da categoria. Senna foi campeão nos anos de 88, 90 e 91 e vice em 89 e 93. Em 1994, foi para a Willians correu três corridas, não terminou nenhuma, contudo largou na frente nas três oportunidades e quando do acidente que lhe tirou a vida, liderava a prova.

Acompanho a F1 desde o início da década de 80 e posso afirmar que nenhum dos pilotos que vi correr daquela época até hoje, entre eles: Alain Prost, Niki Lauda, Nélson Piquet, Nigel Mansel e, principalmente, Michael Schumacher e Lewis Hamilton, ambos recorditas de todos os itens da F 1, não tinham o talento de Senna.

Nenhum desses fizeram corridas memoráveis como o brasileiro fez, entre elas: Mônaco 84, Portugal 85, Japão, 88 e 89, Brasil 91 e 93 Donington Park 93, onde ele fez a melhor primeira volta da história da F1. Em classificação Senna foi o piloto mais rápido que existiu. Nos anos 80, os motores eram turbo e os de classificação chegavam a ter 1200 cv de força, sem a ajuda da eletrônica que tem hoje, os carros eram muito mais difíceis de serem pilotados e não tinham a segurança atual, mesmo assim, Senna conseguia voltas fantásticas.

Na chuva Senna foi insuperável. Se ele não tivesse morrido naquela corrida teria sido campeão do mundo no mínimo mais duas vezes e Schumacher não teria os números que tem hoje. O alemão só foi o que foi, por que Senna morreu e em sua geração não havia grandes pilotos. Foram 10 anos de F1, 161 corridas, 41 vitórias, 65 pole positions, 614 pontos pela pontuação antiga com menos pontos aos participantes, 3 vezes campeão do mundo e 2 vice.

Registro toda a minha admiração, carinho e respeito a esse inesquecível brasileiro que nos deixou tão cedo e foi amado como pouquíssimos, não só no Brasil, mas em todo mundo, em especial no Japão, onde ele tinha e tem uma enorme e fiel torcida. Até hoje durante as transmissões das corridas pelo mundo a fora, vemos pessoas usando o marcante boné azul do Banco Nacional, sua marca.

No seu velório no dia 4 e sepultamento no dia 5 de maio no cemitério do Morumbi em São Paulo foram prestadas as maiores manifestações de carinho e respeito que vi para um brasileiro. Além do imenso carinho demonstrado pelo povo brasileiro, Senna foi sepultado com honras de Chefe de Estado e o então Presidente da República Itamar Franco decretou luto oficial de 3 dias. E já se vão 27 anos sem o inesquecível Ayrton Senna da Silva.

Cláudio Tadeu Vaz Martins – Passos/MG