Opinião

Dias melhores virão…

POR GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA

20 de Maio de 2021

O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.” – Madre Teresa de Calcutá. Como amante da matemática e da estatística, sinto engulhos ao ver a grande mídia nacional dar informações sobre a evolução da pandemia no Brasil.

Sempre dão um jeito de manipular e produzir uma manchete alarmante com o propósito, acredito, de disseminar o medo e pavor na população, não bastasse a gravidade em si da doença que tem dilacerado famílias por todos os recantos do mundo.

Quando a contaminação cai, apontam locais onde isto não está acontecendo, quando os óbitos diários diminuem, referenciam com dados estatísticos de média móvel que traz consigo dados pretéritos ou mostram casos de famílias inteiras dizimadas ou mesmo a ocorrência de falecimentos de pessoas que tinham sido vacinadas, mesmo sendo algo estatisticamente insignificante.

Pelo monopólio nacional da informação existente no Brasil resumido a poucos veículos, estão menosprezando a mínima capacidade de discernimento da população e a queda de audiência especialmente da TV Globo, é sintoma de que podem estar amarrando a corda no próprio pescoço.

Enquanto isso em Passos e na contramão de boa parte do Brasil, os números apontam para um vertiginoso crescimento e não vejo nenhuma manifestação de Sua Excelência o Senhor Prefeito Dr Diego de Oliveira, a não ser nas festividades do dia da cidade quando fez pronunciamentos insólitos, sem apresentar nada realizado e muito menos projetos ou planos futuros e cuja participação no evento cultural realizado, culminou com sua apresentação tocando guitarra e cantando a canção “Dias melhores”, da banda Jota Quest.

Para que dias melhores aconteçam, precisamos de atitudes e de respostas à comunidade do que se pretende com seu estagnado governo municipal. A sensação que tenho é que daqui há três anos, por faltar-lhe a desculpa de que estava organizando a casa com cofres abastados, será cedo para cobrar-lhe alguma coisa.

O governo municipal, de forma grave, não toma atitudes consistentes no enfrentamento à pandemia e se esconde atras do programa Minas Consciente e muitas perguntas poderiam ser respondidas, até mesmo em respeito às famílias que sofrem a dor da perda de seus entes queridos e à população atordoada com o noticiário pirotécnico:
– Por que não dar eficiência à brigada municipal contratando gente especializada e com equipamentos, veículos adequados e principalmente sem vínculos comunitários que lamentavelmente prejudicam a fiscalização?

Já está comprovado que a “doença das cavernas” onde morcegos se aglomeram que o segredo para conter o avanço do vírus é evitando aglomerações e não podemos mais ficar a mercê de baladas e festas irresponsáveis em sítios, ranchos ou na própria cidade, além do descalabro das filas amontoadas à porta das poderosas agências bancárias, sem que nenhuma providência seja tomada.

– Por que não reforçar o atendimento ao covid19 concretizando o Hospital de Campanha ou ambulatório Covid, como queriam, no Hospital Otto Krakauer, cuja reforma contou inclusive com apoio financeiro do Judiciário, e não se fala mais nisso?

Mas por favor, não me venham dizer de problemas documentais para uso do imóvel, quando está previsto no art. 5º, inciso XXV, da Constituição Federal, a possibilidade da “autoridade competente”, em casos de iminente perigo público, usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário a indenização posterior, se houver dano. Chegamos a demonstrar o extremo desazo administrativo, buscando amparo em Prefeituras­­­ menores, mas mais organizadas da região, para fornecer medicamentos e equipamentos apesar de estarmos com os cofres cheios.

– Por que não revisar os protocolos de segurança para melhor orientar e fiscalizar o comércio sem precisar de “lock down” e ampliar a testagem em massa para apurar e divulgar análises da doença como regionalização, idade dos infectados e outros dados que auxiliarão na trilha da contaminação?

– A Câmara Municipal recebeu a visita do brilhante médico Dr Roberto Soares Maia, falando sobre tratamento precoce ou preventivo. Ali, o renomado médico narrou fatos contundentes e insofismáveis sobre o tratamento precoce que precisam ser considerados à luz da verdade. Ao que parece, os argumentos preciosos ali apresentados, não somente pela excelência profissional do Dr Roberto, mas também pela sua respeitabilidade e credibilidade como cidadão passense, não mereciam ser ignorados pelo alcaide.

Porque não discutir o assunto, sem contaminação politiqueira que tomou conta do Brasil? Existem cidades que adotaram alternativas com sucesso, como o caso de São Lourenço, que poderiam ser uma fonte de pesquisa ou até serem visitadas. Pesquisando a história da gripe espanhola no Brasil no início do século passado, constatei uma similaridade muito grande com os fatos que ocorrem hoje: o medo, a indecisão e a omissão, o alarmismo, a polarização política, a busca de culpados e principalmente o desconhecimento da doença com estigmatização de quem propunha alguma alternativa de minimizar a “peste“, sucumbindo aos donos da ciência e da verdade.

Mais de um século depois, continuamos os mesmos e à espera de ações efetivas. Assim, enquanto faço uso de complexos vitamínicos e ivermectina, recorro à mesma banda mineira Jota Quest para destacar a frase final da canção: “vivemos esperando”.

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA é engenheiro eletricista e ex-político, escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna.