Opinião

CPI na pandemia

POR PAULO NATIR

16 de abril de 2021

Bolsonaro até ensaiou uma melhora, principalmente em seus discursos populistas (“pensando” no povo) e na postura, mas a máscara logo caiu. Mais uma vez a ética fugiu pela janela. Aliás, os poucos gestos de finesa do capitão somente foram exaltados porque o velho e combativo Lulão (PT) está no páreo. Bem, essa era a última ordem.

Na tarde de ontem o STF julgava se mantinha as condenações de Lula no âmbito da Operação Lava-Jato. O “motivo” é a suspeição do juiz Sérgio Mouro. Seria da competência da Vara Federal de Curitiba Julgar o petista? O Supremo havia decidido que si. Porém, até decisões judiciais no Brasil são vulneráveis gerando uma complexa insegurança jurídica. Não se discute outra coisa nos noticiários de política.

A bola da vez é a instauração da “CPI da Covid”. Por decisão liminar o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que o Senado instaure uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar possíveis irregularidades na grande tragédia no que diz respeito ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 em terras brasileiras.

O STF atende um pedido de abertura da CPI que foi apresentado com assinatura de mais de um terço dos senadores – número regimental mínimo de assinaturas para instauração do procedimento investigativo. Os senadores já nomeados para investigação definem agora como serão desenvolvidos os trabalhos em meio a grave crise sanitária.

O histórico do presidente no enfrentamento à pandemia é um fiasco imensurável. O mundo inteiro exibiu reportagens de Bolsonaro menosprezando o perigo da doença e suas variantes – principalmente a registrada em nosso país. A postura de Jair Messias frente a tragédia chocou o mundo. Todo planeta lamenta muito o comportamento de Bolsonaro que é sofrível. Essa semana o Brasil virou até piadinha de mau humor em uma reunião do parlamento francês.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse após receber a ordem para instaurar a CPI que o momento não é oportuno para abertura da investigação, pois segundo ele o país deve se concentrar no combate à Covid-19. Porém, é muito cômodo esse argumento. Questionamento pontual fez o amigo Raul Moreira Pinto, na Coluna do Leitor dia desses: Qual seria o momento?

Durante um ano de pandemia Bolsonaro se consagrou nas declarações irresponsáveis frente a pior crise sanitária que o país já enfrentou. Certa vez a infelicidade foi tanta que assim ele reagiu ao ser confrontado com o registro de milhares de morte: “E daí, não sou coveiro”. Lembram?

A irresponsabilidade, insensibilidade e a falta de empatia de nosso presidente superou todos os limites possíveis. Bolsonaro está sendo acusado nas redes sociais de genocida. É um termo muito forte. No entanto é apropriado para um chefe de Estado que fala que é “mi-mi-mi” o sofrimento de mais de 360 mil familiares de brasileiros que perderam seus entes queridos em decorrência da Covid-19.

Jair Bolsonaro faria um bem muito grande para o país se renunciasse ao cargo evitando assim perda de tempo, dinheiro e fôlego. Porém, ele é incapaz de um gesto dessa grandeza. Definitivamente, vamos clamar a Jesus misericordioso piedade para todos brasileiros e brasileiras. “Apesar de você” tenham todos um abençoado fim de semana …

PAULO NATIR é Jornalista