Opinião

CPI enquadra Bolsonaro

PAULO NATIR

30 de junho de 2021

Senadores membros da CPI da Pandemia apresentaram nessa semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma notícia-crime contra o presidente Jair Messias Bolsonaro. Ele é acusado de prevaricar – quando o servidor deixa de cumprir seu dever – na compra milionária da vacina Covaxin, contra a Covid-19. Em depoimento na sexta-feira passada na comissão, o servidor concursado do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, informou aos senadores que apresentou ao presidente, no Palácio da Alvorada, possíveis atos de corrupção na compra desse imunizante indiano.

No encontro, Bolsonaro afirmou que iria pedir a Polícia Federal uma investigação sobre o caso. Em declarações posteriores, o presidente disse que repassou a suspeita ao ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello. “O ministro informou que investigou o caso e não viu nada de errado”, declarou o presidente. Pazuello deixou o ministério um dia após ter o conhecimento dessa denúncia. No encontro com Bolsonaro o servidor estava na companhia de seu irmão, o deputado federal Ricardo Miranda (DEM-BR) – que faz parte da base de sustentação do presidente na Câmara dos Deputados. Os irmãos Miranda – como vem sendo chamados – disseram ainda que o presidente chegou a responsabilizar o líder de seu governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), pelas possíveis irregularidades.

O servidor Luis Ricardo – chefe de divisão de importação do Ministério da Saúde – disse na CPI que vinha recebendo uma pressão incomum de seus superiores para agilizar a adequação dos documentos necessários para a compra da covaxin. “Essas pressões geraram uma grave suspeita nessa operação”, avaliou o servidor.

Outro ponto suspeito levantado por Luis Ricardo foi a atuação da empresa Precisa Medicamentos que intermediou a compra desse imunizante indiano. Todas as vacinas compradas pelo governo brasileiro foram adquiridas direto dos fabricantes. A covaxin foi desenvolvida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. A aquisição desse imunizante foi totalmente atípica a maneira que o governo brasileiro vinha tratando com os demais laboratórios fornecedores das vacinas. Neste caso, o próprio presidente brasileiro fez um contato com o primeiro ministro indiano para intervir no processo em favor em favor do governo brasileiro.

Embora não tivesse sido aprovada pela Anvisa, a covaxin foi a vacina mais cara negociada pelo governo brasileiro. Cada dose foi comprada por US$ 15,00 ou seja cerca de R$ 75,00. A vacina Astrazeneca, da Oxford, foi adquirida por R$15,85 ou seja cerca de R$ 3,16. Uma diferença extremamente considerável.

Jair Bolsonaro foi colocado no centro dessa grave denúncia. Ele se defendeu dizendo que o Brasil não recebeu nenhuma dose dessa vacina indiana e o país não pagou nada para ninguém em relação a essa negociação. Com uma crise econômica gravíssima causada, principalmente, pela pandemia, com uma seríssima crise hídrica mais a grave crise política vai ser muito difícil o presidente permanecer em sua cadeira. Vamos aguardar os acontecimentos.

PS – Só para comemorar o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Precisamos acabar com as diferenças e promover a inclusão. Aproveito para lamentar a morte do grande jornalista e dramaturgo Artur Xexéo. A cultura brasileira perde muito.