Opinião

Antroponímia dos três poderes

POR WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA

3 de fevereiro de 2021

O homem é dono do que cala e escravo do que fala.” (Sigmund Freud) Historicamente, o nome, na cultura judaica, é um título dado pelos pais ao bebê no nascimento e que reflete seus traços particulares de caráter e os dons concedidos por Deus, quase como uma ‘marca registrada’ atribuída àquela pessoa, que a segue (ou persegue) por toda a vida.

O nome Jair tem origem a partir do hebraico Ya’ir, que significa “iluminado por Deus”. Já Bolsonaro tem o caracter de alcunha ou ocupacional com o significado de flecha ou dardo. Significaria neste caso algo como o das flechas, no sentido de fabricante das mesmas, ou mesmo de bestas (arma que dispara flechas) ou semelhante. Por outro lado… parece ter igualmente o significado de “soco”, “marrada” (Origine e Storia de cognomi italiani, de E. Rossoni – 2013). Eis aí o nosso Executivo.

Rodrigo, nome cuja origem é germânica, significa “poderosamente famoso”, “famoso pela sua glória” ou “governante poderoso”, “rei famoso”. Em complementação, Pacheco é atribuído à origem latina “Pacieco”, cujo significado é: aquele que vem da Espanha.

Mas, foi em Portugal que o sobrenome se celebrizou, na pessoa de Fernão Rodrigues Pacheco, que era alcaide de Celorico da Beira e um homem de muita confiança do rei D. Sancho II de Portugal, país que defendeu com muita honra e bravura em inúmeras batalhas da época, mormente contra os mouros e contra os inimigos do rei. Nome que migrou, posteriormente, para o Brasil. Eis aí a nossa câmara alta do Legislativo.

Arthur, nome que significa “homem urso”, “rei urso”, “forte”, “nobre” ou “corajoso”. O Rei Arthur é o mais famoso personagem com este nome, mas sua história é um grande mistério. O Lira, que sucede ao nome (sobrenome) e que, também, sucedeu a Rodrigo Maia, na presidência da Câmara, em data recente, tem a sua origem na mitologia grega: era o instrumento musical que sempre acompanhava Orfeu, o filho de Apolo, que era médico e poeta. Quando Apolo tocava o instrumento, com sua melodia conseguia acalmar pessoas, animais e elementos da natureza em geral. Conosco, a câmara baixa do Legislativo.

Luiz, de origem germânica, significa “combatente glorioso”, “guerreiro famoso” ou “famoso na guerra”. Fux, sobrenome poligenético que significa “raposa”, relacionado a famílias de ascendência judia. “…pode estar relacionado a um antigo costume alemão da Idade Moderna que denominava os calouros de uma fraternidade acadêmica de “raposa”. O caráter tímido e fugidio da raposa seria comparado ao deslumbramento típico do estudante recém-egresso de uma Universidade…” (Facebook/ColoniaJohannesdorf).

Aí, a mais alta corte do judiciário. A história é escrita, antes de tudo, por outros nomes, igualmente e não menos importantes. Por Jesuses, Marias e Josés… bota aí o seu nome também. O Supremo! Saúde e paz a todos!

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve
quinzenalmente às quartas, nesta coluna ­