Opinião

Antes que seja tarde

POR GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA

13 de janeiro de 2022

“A expansão do turismo que tantos benefícios traz, precisa ser acompanhada de obras estruturais, para evitarmos tragédias dolorosas como lamentavelmente aconteceu em Capitólio.” – Cezar Vilela – Presidente do Diretório Municipal do Partido Liberal de Cássia
Eu era um adolescente, em meados da década de 70 quando me mudei de Cássia para Belo Horizonte, para estudar no maravilhoso Colégio Santo Antônio. A saudade da vida tranquila em Cássia me animou a frequentar, aos finais de semana, a casa de um amigo de Betim, uma cidade maior, que ainda conservava as mesmas características da inigualável e prosaica vida do interior mineiro. Foi quando a Fiat Automóveis se instalou naquele município, provocando um acentuado crescimento econômico para o qual a região não estava preparada convenientemente, provocando um verdadeiro caos, especialmente nas questões de segurança, saúde, educação e habitação, insuficientes para suportar a forte migração de mão de obra de todos os cantos do país. Até hoje Betim, hoje muito diferente do paraíso interiorano, sofre consequências do desenvolvimento que, se trouxe muitos benefícios, trouxe também problemas sociais graves.
Agora a cidade de Cássia está prestes a inaugurar o novo Santuário dedicado à Santa Rita de Cássia, o maior do mundo dedicado à Santa das Causas Impossíveis.
O meu amigo de infância Cezar Vilela, cassiense ilustre e homem que atuou muito na expansão do turismo, em especial o religioso, quando por anos foi Diretor de Turismo do Governo do Estado de São Paulo, faz um pronunciamento oportuno e que deve ser ouvido, alertando que neste momento de luto que passamos pela tragédia de Capitólio, precisamos refletir sobre as medidas que devem ser adotadas para garantirmos que a esperada explosão do turismo religioso regional, venha acompanhada de um planejamento estratégico que garanta um desenvolvimento sustentável, integrado e seguro. Importante ressaltar que o alerta proferido pelo presidente do PL cassiense, transcende as fronteiras de Cássia e serve para toda a região do Sudoeste, inclusive Passos a maior e principal cidade, nosso polo regional.
Comecemos a analisar o impacto nas artérias de trânsito tanto no município quando as rodovias estaduais que darão acesso ao novo Santuário. Estariam tais corredores de fluxo de veículos de pequeno e grande porte preparados para o súbito aumento da quantidade dos que por ali transitarão? Quais as medidas a serem adotadas para minimizar o impacto disto?
Segundo as autoridades cassienses, estão previstas a visita de dezenas de milhares de turistas do país todo, cujo primeiro e astronômico pico ocorrerá no próximo mês de maio, data prevista para a inauguração do maravilhoso Santuário, quando estimam 150 mil pessoas nos três dias de festividades. Tanto na data de inauguração quanto no novo equilíbrio natural do fluxo de turistas pós 22 de maio, será necessário imaginar que essa centena de milhares de pessoas precisará que medidas de segurança pública sejam adotadas definitivamente, o abastecimento às necessidades básicas de uma multidão, inclusive no atendimento emergencial à saúde e até mesmo a resposta que será dada pela iniciativa privada para oferecer alimentação adequada, o que pode não ocorrer e aí haverá o risco de comportamento inadequado de uma massa em pânico. Quem já frequentou estádios de futebol superlotados sabe bem a que me refiro quando ali se estabelece uma confusão ou revolta.
Ainda devemos refletir que toda a região deverá acessoriamente receber significativas fatias de turistas para frequentar o comércio, restaurantes, hotéis e mesmo outras modalidades de turismo.
É hora de transformar a preocupação em atitudes concretas e urgentes porque, a exemplo de Capitólio, mesmo que medidas sejam tomadas após a catástrofe, nada amenizará a perda de vidas e o sofrimento infinito provocado.
Talvez estejamos aos 45 minutos do segundo tempo para virarmos o jogo e evitarmos mais uma tragédia anunciada. Devemos chamar à responsabilidade as autoridades de todos os níveis e de todos os poderes, para que consigam fazer o que está tão difícil hoje em dia: deixar de lado o jogo de empurra, eliminar palanques eleitoreiros e discursos às vezes chamativos mas inócuos, porque achar quem é o culpado de um malfeito em nada resolverá o problema. Ao contrário contribuirá ainda mais para o descrédito que a população dedica a seus políticos, enfarada de ouvir palavras estéreis e demagógicas que sempre se direcionam a críticas e nunca a soluções.
Cezar Vilela, mesmo sabendo que não teria chances reais, se candidatou a Prefeito da cidade de Cássia, quando então plantou ideias de planejamento como ato fundamental, hoje escasso no cenário brasileira, e a criação de políticas de curto médio e longo prazo, que quase nunca despertam o interesse da população.
Durante a campanha, Cezar dizia que não estava apresentando apenas mais uma candidatura, mas sim novas propostas de gestão pública que precisam acontecer independentemente de quem será o Gestor, procurando, mesmo sabendo que a preferência popular sempre vem sendo atraída por propostas mirabolantes e promessas vans, como se tudo se resolvesse apenas com agradáveis discursos populistas.Com serenidade e inteligência ele provou que, mesmo que a população de uma forma geral ainda demonstre simpatia pela melíflua demagogia, que agrada mas nada produz, o momento agora é de exigirmos providencias imediatas, antes que seja tarde.