Opinião

Alzheimer e outros desafios

POR WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA

17 de março de 2021

O que não se usa, atrofia. O que se usa em excesso, hipertrofia”. (autor desconhecido) No início da concepção do ser humano, observa-se um crescimento exponencial e contínuo do novo ser gerado a partir da união do espermatozoide com o óvulo. A partir daí, é uma explosão de vida que se manifesta em todos os sentidos ao longo do tempo. Estabilizado o desenvolvimento físico, inicia-se, então, o seu declínio natural, com o avanço da idade – ou acelerado pela incidência de alguma doença degenerativa.

Porém, o crescimento e o desenvolvimento iniciados lá no passado não estão adstritos ao aspecto físico. Tal qual a metamorfose que ocorre com a lagarta se transformando em borboleta, livrando-se do limite físico da vida em um ramo de árvore para a liberdade de voos mais altos, somos desafiados a continuar o nosso crescimento no âmbito mental e espiritual. A esclerose lateral amiotrófica, doença incapacitante progressiva, e a cadeira de rodas não foram obstáculo à genialidade de Stephen Hawking, um dos maiores físicos de todos os tempos. Os sofrimentos e a cruz não obstaram a Cristo.

Alzheimer

Em breves considerações de um leigo sobre o mal de Alzheimer, fundamentadas em observação de pessoas próximas com manifestação dessa doença (amigos e familiares), pode-se dizer, grosso modo, que pessoas acometidas por tal moléstia, passaram a viver no “piloto automático”, por circunstâncias as mais diversas.

Segundo Charles Duhigg, autor do best-seller ‘O Poder do Hábito’, “O modo como habitualmente pensamos em nosso ambiente e em nós mesmos cria os mundos onde cada um de nós habita”. O que exemplifica, com a seguinte citação:

Tem dois peixes jovens nadando juntos, e eles por acaso encontram um peixe mais velho nadando no outro sentido, que acena para eles e diz: “- Bom dia, meninos. Como vai a água?”;  “E os dois peixes jovens continuam nadando um pouco; então uma hora um deles olha para o outro e diz: “- Água? O que é água?”. Perda de autoconsciência e da possibilidade de leitura do entorno, com tudo que isso implica.

Os hábitos são importantes para a estabilidade em nossas vidas. Porém, se só vivemos em cima de hábitos, por melhores que sejam, em confortável e segura acomodação, deixamos de experimentar novas e infinitas possibilidades… e de prosseguir no desenvolvimento de todo o potencial em nós existente. Não somos destinados à estagnação. A quem tem, se dá. A quem não tem, se retira

A magistral ‘parábola dos talentos’, ensina, com nueza e crueza, que “a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”. Isso, não sem antes elucidar que a cada um de nós são dadas capacidades para bem vivermos e desenvolvermos a vida de forma exponencial. A uns mais, a outros menos, mas todos somos contemplados com potencialidades. Quem as bem usa, recebe, naturalmente, mais. Quem não as usa, se atrofia… e até o que tem é perdido.

Pratique novos (e bons) hábitos. Saia da rotina e do imobilismo. Desafio constante, o de crescermos em nível pessoal e como sociedade, e de sermos vetores desse crescimento no nosso entorno, mormente nesses dias de pandemia que não se findam, encerro lembrando o conselho, sempre atual, registrado no capítulo 30 do livro do Deuteronômio: “escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”. Saúde e paz a todos!

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve
quinzenalmente às quartas, nesta coluna