Música

Passense toca com Orquestra em Inhotim

Por Adriana Dias

7 de junho de 2022

O violonista passense Celso Faria foi o convidado especial para abrilhantar o fechamento da Semana do Meio Ambiente de Inhotim no domingo, 5, às 15h30, Viveiro Educador ‘Jardim de Todos os Sentidos’, quando se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. O músico tocou junto com a Orquestra de Câmara Inhotim, em Brumadinho. O evento contou com a presença de Bernardo Paz, empresário conhecido por sua vasta coleção de arte e o responsável por criar o Inhotim, maior museu contemporâneo a céu aberto do mundo. Na apresentação o empresário anunciou a doação definitiva de cerca de 330 obras e área que integra o complexo para a instituição.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII) de 15 de dezembro de 1972 com a qual foi aberta a Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o Ambiente Humano. E, foi neste contexto que o maestro César Timóteo, da Orquestra de Câmara Inhotim encerrou as programações da Semana do Meio Ambiente Inhotim 2022, fazendo com que os mais de 100 convidados se conectassem com a música e a natureza.

Conforme o maestro César Timóteo, a música está intimamente ligada à natureza. “A natureza tem sua própria música. Se ficarmos em silêncio e prestarmos atenção, poderemos ouvir os sons da natureza. Uma sinfonia extremamente rica. Aqui podemos ter a oportunidade de tocar ao ar livre. Os instrumentos também são parte da natureza, os de corda, são feitos de madeira e as cordas de tripa, os arcos com crina de cavalo. Um dos naipes do sopro é chamado de madeiras e é composto por flautas (antigamente feitas de madeira), oboés, clarinetas e fagotes. As palhetas dos oboés, clarinetas e fagotes são feitos de cana-do- reino. Portanto, até mesmo o som que é produzido é essencialmente retirado da natureza”, contou o músico.

Ainda de acordo com o músico é um privilégio poder reger a Orquestra de Câmara Inhotim, um exemplo de natureza exuberante, com seus jardins fascinantes, e cercado de uma reserva natural com 140 mil hectares de área de visitação, com biomas de Mata Atlântica e Cerrado. Foi neste cenário que a orquestra e o violonista fizeram as obras Beethoven (1770-1827) 8’ com a abertura de “Egmont”; Joaquín Rodrigo (1901-1999) 25’, com o Concierto de Aranjuez; I Allegro con Spirito; II Adagio e III Allegro Gentile.

Também foi apresentada a obra de Jônatas Reis (21 de fevereiro de 1976) 15’ – Os Jardins de Inhotim; I As Palmeiras; II A Vista do Lago; III O Jardim Desértico; IV O Largo das Orquídeas e V A Árvore Tamboril. Uma das cenas que mais levaram o público às lágrimas de emoção foi II Adagio, de Aranjuez.

Para Celso Faria, foi muito gratificante executar o Concierto de Aranjuez, do compositor espanhol Joaquin Rodrigo. “Esta que é a mais emblemática obra para o violão no gênero com o grande amigo e maestro César Timóteo e a Orquestra de Câmara Inhotim. Esta orquestra é fruto de um trabalho social sério, que é desenvolvido no museu e, em um espaço de tempo relativamente curto, se tornou uma grata realidade na cena musical mineira – méritos para o César Timóteo e toda a equipe”, disse o violonista.

Sobre a obra de Aranjuez, Faria contou que foi escrita inspirada nos jardins do Palácio de Aranjuez, que fica na Espanha e logo se tornou o mais popular concerto para violão e orquestra. “Anos depois, a melodia do segundo movimento ganhou, a contragosto do compositor, uma letra, Aranjuez, mon amour”, completou.

A Orquestra de Câmara Inhotim foi criada em 2019 e é fruto dos projetos sócio-educativos de música que o Inhotim desenvolve desde 2012. O grupo reafirma o compromisso da instituição com a comunidade, mantendo enquanto museu e jardim botânico uma longa história de formação de jovens. Composta por 25 estudantes de música a orquestra tem por objetivo principal preparar seus participantes para a carreira musical. Os ensaios da orquestra acontecem semanalmente no Inhotim permitindo e incentivando os jovens a experimentar e vivenciar o acervo de arte e os jardins do Instituto. Durante a pandemia a orquestra realizou importantes parcerias, gravando com jovens bailarinos da Escola Bolshoi no Brasil e com músicos da Hastings Philharmonic Orchestra do Reino Unido.

Doação

Presente no evento, empresário Bernardo Paz falou sobre a doação definitiva do espaço e de cerca de 330 obras da coleção dele que foram transferidas de forma definitiva para a instituição. O Inhotim foi fundado em 2006 e a partir desta data passa a deter a propriedade de todas as 23 galerias e obras permanentes do museu.

As obras doadas de arte contemporânea são de artistas como Anri Sala, Arthur Jafa, Chris Burden e Ernesto Neto, além das famosas galerias de Adriana Varejão, Cildo Meireles, Tunga, entre outros. A lista reúne ainda exemplares da coleção de Paz nunca expostos no complexo. “O Inhotim nasceu de um projeto de vida e foi se ampliando ao longo dos anos. A doação é um processo natural desse percurso, ((e sobre a Orquestra, quero ver também mais representatividade da comunidade negra. Não chega a 10% e isso precisa aumentar”,)) disse aplaudindo a orquestra, no final da tarde deste domingo, 5.

Reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) pelo Governo de Minas Gerais em 2008, o Inhotim é uma entidade privada sem fins lucrativos, e é mantida através de doações de pessoas físicas e jurídicas, leis de incentivo à cultura, bilheteria e da realização de eventos. No início do ano, a instituição também anunciou a reformulação de seu conselho deliberativo, que agora tem Bernardo Paz como presidente e empresário Eugênio Mattar como vice, além de um grupo de outras 20 pessoas que passa a integrar a instância máxima de gestão da instituição.