Música

Morre Charlie Watts, baterista dos Stones

25 de agosto de 2021

Charlie Watts, baterista da banda inglesa Rolling Stones, durante apresentação no Morumbi./ Foto: Reprodução.

Charlie Watts, baterista do grupo Rolling Stones, morreu no hospital aos 80 anos, disse seu porta-voz.

“É com imensa tristeza que anunciamos a morte de nosso amado Charlie Watts. Ele faleceu pacificamente em um hospital de Londres na manhã de hoje, cercado por sua família”, disse o porta-voz Bernard Doherty.

“Charlie era um marido, pai e avô querido e também como membro dos Rolling Stones um dos maiores bateristas de sua geração.”

Watts se juntou aos Rolling Stones durante o primeiro ano de existência da banda, que já contava com a dupla Mick Jagger e Keith Richards entre seus fundadores (Ron Wood chegaria somente em 1975). “A noite do Marquee [considerada a primeira apresentação do grupo, em 12 de julho de 1962] foi a gravação de um show de rádio, e a banda era a de Alexis Korner, com quem eu já tinha tocado.

Tinha também o Brian Jones, com quem eu tocara um ano antes. Então, era um embrião do grupo, que só foi se estruturar ao longo do ano. Nós consideramos que o dia 2 de janeiro é a data de fundação da banda”, explicou o baterista ao Estadão em 2012.

Watts também teve influência fundamental na composição visual do grupo ao lado de Mick Jagger. Sobre o que costumava buscar para a imagem do grupo, respondia, à Rolling Stone, em 2005:

“Algo cativante e, eu espero, bonito. Mas você não quer que seja cafona. A língua é um exemplo clássico. Por mim, iria direto para a beleza. Mas, por conta da posição em que estamos, você tem que ter algo arrebatador que tome conta”.

Já tocava bateria desde a adolescência, quando era praticante do skiffle, gênero inglês inspirado nas jazz bands norte-americanas dos anos 1920. Apesar de integrar uma das principais bandas de rock da história, o músico era grande fã de jazz, R&B e blues.

Ao longo das décadas, sempre teve o costume de se apresentar com outros músicos nos períodos em que não estava em turnê com os Rolling Stones, além de frequentar o Ronnie Scott’s, um dos principais clubes de jazz do Reino Unido.

Em 23 de maio de 1985, gravou o primeiro LP da Charlie Watts Orchestra, no Fulham Hall, pela CBS, acompanhado por 32 músicos de três gerações diferentes, entre percussionistas, trompetistas, trombonistas, baixistas, vibrafonistas, clarinetista, pianista, violoncelista e cantores.

“É como ser criança novamente”, dizia Charlie Watts sobre a animação em tocar seu gênero preferido.

O gênero sempre esteve presente em sua trajetória. Ao analisar as “variações do conceito de rock” em texto para o The New York Times, em 1978, Robert Palmer definia: “Como Earl Palmer e os outros grandes bateristas de New Orleans, Charlie Watts está impregnado de R&B, mas suas origens estão no jazz.

Comparado ao senhor Watts, a maioria dos bateristas de rock soam desajeitados: eles fazem muito barulho, mas não têm o verdadeiro embalo do rock’n’roll”.O cantor chegou a ser diagnosticado com um câncer de garganta em 2004, mas passou por tratamento e se recuperou bem, voltando à ativa meses depois.

Na ocasião, foi questionado pela revista Rolling Stone se conseguia imaginar a banda continuando sem ele.

“Acho que eles fariam isso, se quisessem. Se eu não estivesse bem o suficiente para tocar nesta turnê, outra pessoa faria isso – se Mick e Keith quisessem. Não há razão para achar que eles não deveriam, se há pessoas que comparecem para vê-los. Existem caras da equipe que podem fazer o que eu faço”, respondeu.