Música

‘Espírito do Som’ celebra Cássia Eller

10 de dezembro de 2021

Cássia Eller: nos 20 anos da morte, cantora tem faixa inédita lançada e ganha homenagem do filho e amigos

Nos 20 anos de sua morte, a cantora Cássia Eller está sendo celebrada nesta semana com o lançamento de “Espírito do Som” — uma composição de Péricles Cavalcanti e Chico Evangelista que Cássia apresentou em voz e violão, em 1985, em Brasília, em show que fazia com a amiga Janete Dornellas. A gravação de 1985 foi recriada com novo instrumental que está sendo lançado nesta sexta pelo seu filho Chico Chico, numa produção junto com o violonista Rodrigo Garcia (que fez parte da banda da mãe) e o pianista Pedro Fonseca.

Cássia, que estaria completando 59 anos nesta sexta, 10, morreu em 29 de dezembro de 2001, no auge da popularidade com o CD e DVD “Acústico MTV” (que viria a vender mais de um milhão de cópias), de infarto do miocárdio. A dor e a perplexidade foram experimentadas por muitos, mas de forma mais trágica pela mulher de Cássia, Maria Eugenia (que, naquele momento, estava em Brasília com o filho das duas, Francisco, então com 8 anos) e o parceiro musical e grande amigo Nando Reis, que recebeu a notícia em casa, em São Paulo.

“Foi um choque, a minha sobrinha que avisou. Ainda tive tempo de pegar a última ponte aérea para o Rio, e foi aos prantos que eu pedi a última vaga para o voo”, conta Nando, que na noite da última quarta-feira se juntou a Lan Lanh (percussionista da banda de Cássia) e a Chico Chico (o filho da cantora) na festa do Prêmio Multishow, em uma homenagem à amiga, com sucessos como “All Star”, “O segundo sol” e “Relicário”. “Convivo com a memória da Cássia ininterruptamente. Sempre toco nos meus shows as músicas que fizeram parte da nossa história, especialmente “All Star”, que escrevi sobre nós dois. O tempo é a soma de todos os dias, e a cada dia a lembrança dela me impacta mais”, acrescentou.

Sobre o lançamento da nova versão de “Espírito do Som”, Rodrigo conta que como a cantoria dessa música era muito marcante e o violão era muito simplezinho, viu que uma banda poderia botar pressão. Ele isolou a voz de Cássia do registro em fita cassete e montou uma nova versão do blues com uma banda, da qual fizeram parte ele, Chico e Pedro, mais Cezinha (bateria), Kadu Mota (guitarra) e Marfa Kourakina (baixo).

Para Nando Reis, que produziu três discos de Cássia Eller (o “Acústico MTV”, “Com você… meu mundo ficaria completo”, de 1999; e o póstumo “Dez de dezembro”, de 2002), a palavra que melhor poderia definir o que os dois tiveram é “afinidade”. “Nós encontramos um ambiente de conforto, de segurança e de admiração mútua, e nos reconhecíamos na forma com que vivíamos e como víamos nossa profissão. Havia a fascinante possibilidade de que aquela troca nos complementasse e nos enchesse de alegria. Era um terreno não só de conforto, mas de prazer. Nunca tivemos qualquer tipo de desentendimento ou dificuldade. Ela se reconhecia na forma com a qual eu escrevia sobre amor, era muito fácil. Tenho um arsenal de memórias ao qual me apego”, lembra.

Ao longo dos anos, Rodrigo Garcia cuidou da edição de álbuns como “O espírito do som, vol. 1” (de 2015, com gravações recuperadas de uma fita cassete que Cássia Eller gravou em 1983) e “Todo veneno vivo” (de 2019, ampliação de um álbum ao vivo de 1998). Em 2017, ele lançou também “Chocante”, canção que a cantora gravou em 1986, em Brasília, para o musical “Gigolôs”.