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Diogo Nogueira celebra a MPB

18 de setembro de 2021

Com transmissão neste sábado, concerto aposta numa ponte entre o erudito, o samba e a música popular

O flerte de Diogo Nogueira com a música sinfônica vem de longa data. Sambista de corpo e alma, o cantor fez seus primeiros experimentos no universo erudito com álbum “Tô Fazendo a Minha Parte”, que foi lançado em 2009 e ganhou o Grammy Latino no ano seguinte.

“Já sou velho conhecido dos instrumentos clássicos e por isso fiz questão de incluir naquele disco um naipe de cordas completo. A coisa mais linda da música é conseguir criar laços entre públicos, vertentes musicais e até mesmo diferentes formatos”, crava Diogo, que neste sábado, 18, se junta à Orquestra Ouro Preto para uma live única que vai misturar o melhor do samba e da MPB com uma pitada orquestral.

Sob a regência do maestro Rodrigo Toffolo, a apresentação gratuita será transmitida online, a partir das 20h30, pelos canais do YouTube do cantor e da OOP. Gravado no fim de agosto na praia da Joatinga, com vista para a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, o encontro faz parte de um projeto cultural e repete no palco as tão elogiadas investidas do grupo na esfera popular.

“Apostar em repertórios versáteis já é uma marca registrada da OOP. A gente acredita que esse passeio pelos mundos sonoros é algo lindo e muito útil para quem ama boa música”, frisa Rodrigo Toffolo.

Após explorar ritmos variados como o jazz, o rock e até mesmo o techno-pop, o regente conta que trabalhar com Diogo – um dos artistas mais respeitados do samba na atualidade – teve um toque especial.

“Foi uma experiência muito legal porque ele tem essa verve do samba nas veias – esse ritmo tão brasileiro e que contagia todo mundo com sua atmosfera leve. Acho que o público vai perceber essa química também no concerto”, torce Toffolo.

Diogo concorda com o maestro e se diz honrado com a parceria. “Tivemos uma sintonia total, desde os ensaios até o final da gravação. Parecia até que já tínhamos nos apresentado várias vezes juntos”, conta sorrindo. “Eu já tinha feito alguns shows com orquestras antes, mas tocar com os músicos da OOP foi diferente. Eles são incríveis no que fazem. Virei fã incondicional desde que vi a apresentação”, confessa o sambista.

Para o cantor, se a junção de estilos e sons já é algo enriquecedor para os músicos, o público também só tem a ganhar com essas imersões sonoras. “O povo gosta do biscoito fino, basta ter acesso a ele. Toda iniciativa nesse sentido, de quebrar barreiras e criar pontes, é sempre o que as pessoas querem. A música serve para libertar”, evangeliza Diogo.

No concerto sinfônico, clássicos da MPB como “O Que é o Que é”, de Gonzaguinha, “Espelho”, de João Nogueira, e “Eu Sei Que Vou Te Amar”, de Tom Jobim, estão no roteiro, assim como os sucessos do samba “Pé na Areia”, do próprio Diogo Nogueira, além de “Deixa a Vida Me Levar” e “Camarão Que Dorme a Onda Leva”, que ficaram famoso na voz de Zeca Pagodinho. “Fiz uma lista de canções que gosto, sugeri para o maestro e ele aprovou tudo. Foi assim que nasceu esse grande passeio pela MPB”, revela Diogo.