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Celso Faria toca música de Harry Crowl na Bienal no Rio de Janeiro

Por Adriana Dias / Redação

16 de novembro de 2021

O passense radicado em Belo Horizonte, o violonista Celso Faria, vai tocar uma música feita especialmente para ele pelo compositor Harry Crowl na próxima quarta-feira, 17, na 24ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

A bienal é realizada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e neste ano, será entre os dias 13 e 21 de novembro – com uma apresentação extra no dia 24 – na Sala Cecília Meireles, Centro do Rio de Janeiro. O público poderá conhecer obras de 74 compositores, vindos de 12 unidades da Federação, em 11 concertos, com ingressos a R$10.

Haverá apresentações de música de câmara nos dias 16 e 17, terça e quarta-feira, às 19h; e no dia 24, quarta, no mesmo horário. Uma série de audições de música eletroacústica e mista será apresentada no dia 16, às 16h. A quantidade é um ponto relevante da 24ª Bienal: esse número de formações orquestrais somente foi superado na 13ª edição do programa, em 1999, com sete orquestras. Ao todo, serão executadas 75 partituras, sendo 44 delas em estreia mundial, 46 em estreia presencial e uma a título de homenagem póstuma, para o compositor Henrique David Korenchendler (1948-2021).

Harry Crowl é natural de Belo Horizonte e mora em Curitiba. É compositor com sólida carreira internacional. Seu catálogo conta com mais de cem obras e já percorreu muitos países da Europa e América do Sul. Sua relação com a literatura começou cedo. Foi criado na casa de seu avô materno, José Santana, dono de uma vasta biblioteca e, para a música criada especialmente em homenagem ao passense Celso Faria, usou o conto do autor mineiro Murilo Rubião, ‘Botão de Rosa’.

De acordo com Harry Crowl, que atendeu a reportagem exclusivamente, a sonata é um gênero musical.

“Busquei inspiração em um conto que gostei muito da história. A sonata é composta em três movimentos: Acusação; O Julgamento e A Execução. Esta é a segunda sonata para violão solo escrita em Minas Gerais”, disse o compositor.

Para Faria, é uma honra participar da bienal e este é um dos festivais mais importantes ligados à música de concerto do Brasil.

“As bienais têm objetivos muito claros e nobres, como a veiculação de obras recém compostas e também a promoção de compositores novos e mais experientes. Sobre a “Sonata Fantástica”, a mim dedicada, há algum tempo fui procurado por Harry, na intenção de compor uma música para mim e logo ele vislumbrou a possibilidade de compor uma sonata. Ficou perfeita, assertiva na escrita para o violão. É uma obra de fôlego, uma grande obra do repertório brasileiro para violão. Pelo que tenho acompanhado, talvez ela seja, de fato, a obra mais auspiciosa escrita este ano para o violão. Uma peça que pelas qualidades, sonoridades e textura composicional, tem tudo para figurar definitivamente no repertório dos violonistas, não só nacionais como internacionais”, assegurou Faria.

Também visto como algo extremamente relevante, Celso Faria apontou o fato de que um intérprete de música de concerto esteja figurando nas primeiras audições:

“temos um repertório enorme de compositores que já faleceram, tais como Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Heitor Villa Lobos. Quando um intérprete se dispõe fazer primeiras audições ele está apostando em obras novas, no futuro e esta é uma atitude desafiadora para o intérprete”, salientou Faria.

Ação Social

A OSJRJ, responsável pelo concerto de abertura, integra o grupo Ação Social pela Música do Brasil. A regência será do compositor Guilherme Bernstein – com a execução de uma obra sua. A participação dessa orquestra tem por objetivo aproximar os jovens do universo dos projetos sociais ligados à música e, ao mesmo tempo, divulgar na Bienal essa atividade musical importante – realizada fora dos meios acadêmicos. Há apenas dois registros de orquestras jovens na Bienal desde 1975: a extinta Orquestra Sinfônica Jovem do Estado do Rio de Janeiro – em três edições entre 1985 e 1989 –, e a Orquestra Juvenil da Bahia, do programa Neojiba (Governo do Estado da Bahia), em 2015.