Cultura Música

As brasileiras mais ouvidas no Spotify

27 de julho de 2021

Anitta é a líder absoluta do ranking, com 17 milhões de reproduções por mês na plataforma:/ Reprodução.

O top 5 das cantoras mais ouvidas do Spotify não deixa dúvidas sobre quem, em termos de mercado, dá as cartas na música brasileira atualmente. O ranking mais recente aponta Anitta em primeiro lugar, com 17 milhões de reproduções por mês; em segundo lugar aparece Marília Mendonça, com 6,9 milhões; em terceiro, Luísa Sonza, com 6,2 milhões; em quarto, Ludmilla, com 5,3 milhões; e em quinto, a dupla Maiara e Maraisa, com pouco mais de 5 milhões.

Desde o início de 2020, essas cinco cantoras se alternam nas primeiras posições desse ranking (em março do ano passado, era Marília Mendonça quem ocupava o topo), no qual, volta e meia, também aparecem Giulia Be, AnaVitória e Ivete Sangalo. Somente nos dois primeiros meses de 2020, Marília Mendonça, Anitta e Ludmilla foram responsáveis por 500 milhões de streamings no Spotify.

A questão que fica é: essas artistas inauguraram um modelo de cantora pop no Brasil? Ou elas descendem de uma linhagem? E, nesse caso, que linhagem é essa? Para responder a essa pergunta, talvez seja preciso, antes, entender o que é a música pop no Brasil.

O jornalista e pesquisador de comunicação e música pop Felipe Simões, autor do livro “Aspectos gerais da cultura pop”, defendeu que “no Brasil, esse conceito de música pop historicamente designa um estilo musical mais híbrido, complexo e fluido se comparado aos padrões difundidos pela indústria norte-americana e europeia”, em entrevista para a revista “Rolling Stone”, no ano passado.

Para Simões, no Brasil a música pop tangencia um sincretismo maior de estilos, como o rock, a bossa nova, a MPB, o axé, o funk e o sertanejo. Dessa maneira, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Anitta, Manu Gavassi, Ludmilla, Giulia Be, Luísa Sonza e Iza se encaixam nesse estilo, cada uma com as suas particularidades, ao flertar com sonoridades específicas – sertanejo, funk, rap, axé e outras. O pop brasileiro atual se enquadra na estética internacional, mas sem perder certo aspecto regional, seja o funk (carioca), o sertanejo (interior do país) ou mesmo o axé e o forró (nordestinos), na avaliação do pesquisador.

Voltando ao lugar que as campeãs de audiência ocupam hoje _ e num panorama histórico da música brasileira _, o jornalista e produtor musical Marcus Preto, que desde 2013 dirige shows e álbuns de Gal Costa, considera que elas não inauguraram nada e, pelo contrário, são devedoras de uma ramificada tradição de cantoras brasileiras. “A cantora do mainstream sempre houve. Um exemplo pouco lembrado é a Rosana, que, embora branca, era uma cantora de black music, que deu voz a muitas composições de Sullivan e Massadas e outras coisas dessa escola. Era uma cantora de vozeirão, ultrapopular e, ao mesmo tempo, com uma técnica impecável, com voz bonita e potente. Ela, com certeza, é uma referência – ainda que não direta – para as divas pop atuais”, diz.

O período de apogeu e glória de Rosana passou, e Preto destaca que música pop também tem muito a ver com efemeridade. “Nem todo mundo é Beatles ou Rita Lee ou Roberto e Erasmo”, aponta. Ele avalia que Anitta só é diferente porque está em 2021, quando o mais comum é o artista cuidar da própria carreira.