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‘All Things Must Pass’ completa 50 anos

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10 de agosto de 2021

O álbum histórico do ex-Beatle está comemorando seu 50º aniversário e ganha edição comemorativa. Foto: Divulgação.

O álbum histórico de George Harrison, All Things Must Pass, está comemorando seu 50º aniversário e o filho do ex-Beatle acredita que uma nova coleção remixada pode ser a trilha sonora perfeita para o pós-pandemia.

“Acho que a mensagem deste álbum está mais pronta para ser recebida agora do que na época em que foi lançado”, disse Dhani Harrison. “A mensagem está mais clara agora – e está sonoramente mais límpida também. É uma obra musical realmente importante”.

A coleção original já era bem audaciosa para a época: foi o primeiro álbum de estúdio triplo da história do rock, uma virtual enxurrada de vinil. As edições de aniversário que saem esta semana fazem com que pareça meio esquisito, com oito LPs (ou cinco CDs), além de um disco de áudio Blu-ray, com o álbum remixado, demos, outtakes e jams.

Há notas de arquivo reimpressas, anotações sobre faixas, fotos e memorabilia. A edição mais cara vem numa caixa de madeira, junto com estatuetas dos famosos gnomos de jardim que aparecem na capa do álbum. Mas o principal é a música deste álbum que a Rolling Stone lista entre os 500 melhores de todos os tempos.

“Não estamos tentando fazer com que soe moderno”, disse o engenheiro Paul Hicks, vencedor do Prêmio Grammy. “Não estou tentando imprimir nenhum tipo de marca. Respeitamos muito os mixes que estavam lá e os seguimos o máximo possível”.

O esqueleto de All Things Must Pass foi gravado ao longo de dois dias no final de maio de 1970. Em 26 de maio, Harrison gravou 15 músicas com Ringo Starr e seu amigo de longa data, o baixista Klaus Voormann. No dia seguinte, tocou mais 15 canções para o coprodutor Phil Spector só no violão.

O álbum original de 23 faixas – que traz sucessos como Isn’t It a Pity, What Is Life e My Sweet Lord – foi remixado para as edições de aniversário da Capitol / UMe e agora apresenta mais 47 demos e outtakes, 42 deles inéditos.
As fitas da sessão de 1970 produziram 25 horas de música, com várias canções que não fizeram parte do álbum, como Cosmic Empire, Going Down To Golders Green, Dehra Dun, Sour Milk Sea e Mother Divine.

Dhani Harrison e Hicks começaram a trabalhar nas edições de aniversário há cinco anos, redigitalizando e ouvindo todas as músicas e tomadas feitas durante as sessões. Foi um mergulho muito mais profundo do que as reedições dos 30º e 40º aniversários. Hicks define a nova obra como um trabalho “forense”.

Eles saíram do estúdio com cerca de 110 músicas diferentes. Então, Harrison e sua equipe tiveram de decidir como apresentar o que fora encontrado. Ele se lembra de certa vez ter ouvido um box dos Beach Boys que tinha dez versões de cada música e não queria ir pelo mesmo caminho.

Em vez disso, ele queria trazer o ouvinte para o processo de gravação, para ouvir como as músicas haviam evoluído.

“O que estávamos procurando eram aquelas versões que realmente se destacavam, que realmente gritavam algo novo”, disse Harrison.

Ouvintes familiarizados com a faixa Let It Down – uma canção dinâmica que recebeu o tratamento Spector Wall of Sound e se assemelha a um tema de James Bond – podem ficar surpresos ao ouvir a despojada e sincera versão demo acústica que Harrison gravou no segundo dia de estúdio.