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Unesco reconhece obra de Tavinho e Brant

MÚSICA

31 de dezembro de 2021

Os dois compositores mineiros são ‘’sócios-fundadores’’ do Clube da Esquina./ Foto: Reprodução.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) considera a obra musical dos compositores Tavinho Moura e Fernando Brant (1946-2015) como patrimônio imaterial da humanidade. A decisão só divulgada agora ocorreu no dia 25 de novembro, quando 213 embaixadores de 197 países aprovaram o reconhecimento da produção artística dos dois mineiros durante assembleia-geral da instituição.

Integrantes do Clube da Esquina, Tavinho Moura e Fernando Brant têm obra que remonta à década de 1960 e ecoa até hoje na música brasileira. Tavinho gravou vários discos – entre eles, “O anjo na varanda” (2018), “Beira da linha” (2015), “Minhas canções inacabadas” (2014), “Conspiração dos poetas” (1997, este com Fernando Brant), “Caboclo d’água” (1992) e “Como vai minha aldeia” (1978). Compôs trilhas sonoras para os filmes “Cabaret Mineiro” (1981), “Noites do sertão” (1983) e “O tronco” (2000).

Seu trabalho é marcado principalmente pela pesquisa e adaptação do folclore mineiro e brasileiro. Entre suas adaptações mais conhecidas estão “Calix bento” e “Peixinhos do mar”, gravadas por Milton Nascimento. Canções dele fazem parte do repertório de Beto Guedes, Simone, Almir Sater, Zizi Possi e do grupo vocal Boca Livre.

Fernando Brant é reconhecido como um dos principais letristas da MPB, devido sobretudo às canções do Clube da Esquina. É parceiro de Milton Nascimento em clássicos como “Travessia”, “Maria, Maria”, “Canção da América”, “Nos bailes da vida” e “Ponta de Areia”.

Entre as parcerias de Brant com Tavinho Moura está “Paixão e fé”, outro sucesso de Milton. A canção fala dos sinos das igrejas brasileiras, também considerados patrimônio pela Unesco. Em junho de 2015, Brant morreu, aos 68 anos, de complicações decorrentes de uma cirurgia de transplante de fígado.

O cantor, compositor, escritor e violeiro Tavinho Moura, de 72 anos, recentemente lançou um projeto diferente: um videobook, criado nestes dias de isolamento social imposto pelo coronavírus.

“Gravo minhas músicas com o celular e depois posto no Instagram. Tenho umas nove canções lá, vou publicar quantas conseguir. Embora seja tudo simples, feito em casa, está muito legal. É bacana, porque da maneira como estou enquadrando a câmera, dá pra ver bem a minha mão fazendo os acordes”, diz Tavinho.

O novo projeto no Instagram lhe dá o prazer de revisitar a própria obra. “Principalmente de ver a maneira como as músicas foram compostas”, comenta. “Em vez de publicar livro, que exigiria um bom escriba, montar equipe e arranjar uma editora, preferi postar o videobook.”