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Mônica Salmaso lança ‘Caipira online’

MÚSICA

2 de dezembro de 2021

Mônica Salmaso diz que suas raízes são ‘urbaníssimas’, mas sempre teve paixão pelo ‘Brasil dos interiores’./ Foto: Reprodução.

Mônica Salmaso pertence ao naipe que se insere entre a velha guarda e a nova geração de cantoras brasileiras. Registrado em 12 discos e três DVDs, seu trabalho tem a diversidade e o bom gosto como marcas registradas. Aos 50 anos e 25 de carreira, ela está entre as intérpretes mais importantes do Brasil. Essa paulistana já emprestou sua bela voz aos afrossambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, a canções de Chico Buarque, à parceria de Guinga e Paulo César Pinheiro e à delicadeza do lirismo proposto por diferentes autores.

Com o álbum “Caipira”, lançado em 2017, Mônica incorporou a seu trabalho o universo rural. De lá, trouxe cantigas criadas e registradas originalmente por J. Cascata (“Minha palhoça”), Renato Teixeira (“Amanheceu, peguei a viola”) e Xangô da Mangueira (“Moro na roça”). Incluiu nesse repertório Tom Zé (“Menina, amanhã de manhã”), Chico César (“Beradero”) e o mineiro Sérgio Santos (“Voz”), entre outros.

“Quando fiz esse disco, pensava naquele brasileiro do interior do país, mas que também traz o interior de si mesmo. A relação com a natureza faz parte da vida dessas pessoas de uma forma diversa. Elas têm um ponto de vista físico amplo, o que amplia também seu próprio universo interior”, destaca Mônica. “O espaço de contemplação para fora também reflete para dentro. Queria entrar em contato com isso.

A pandemia obrigou a cantora a interromper a turnê de “Caipira”. Surgiu então a ideia de levar o conteúdo do projeto, em outro formato, para as plataformas digitais. Em “Caipira online”, realização da Ô de Casas Produções Artísticas, ela recebe convidados.

No primeiro episódio, que estreou em 19 de novembro, Mônica fez live com o trio Conversa Ribeira, formado por Andrea dos Guimarães (voz), João Paulo Amaral (viola e voz) e Daniel Muller (piano e acordeom). Na última sexta-feira (26/11), foi a vez do violeiro Paulo Freire. Os próximos parceiros são Sérgio Santos, na sexta que vem (3/12), e Rolando Boldrin, em 10 de dezembro.

“É uma alegria ter como convidado especial o grande artista Rolando Boldrin, com toda a vida dedicada à valorização da cultura popular brasileira, mostrando o que temos de mais forte e rico, de mais único e potente em termos de identidade. Para mim, Boldrin é um gigante brasileiro, alguém que merece todas as reverências”, diz.

Aos 50 anos de idade e 25 de carreira, ela dedicou metade de sua vida à música.

“Tenho muito orgulho da minha jornada, feita tijolo a tijolo, do meu jeito de formiga trabalhadora. Gosto de ter formado um público lindo e variado, que chegou ao meu trabalho e ainda chega por identidade, unicamente. Tive sorte, de saída, ao aceitar, ainda que sabendo da responsabilidade que isso pedia, fazer o primeiro disco em duo com um grande músico, muito mais experiente, muito mais sabedor de música do que eu: o Paulo Bellinati (CD “Afro-sambas”, de 1996). A partir desse trabalho, muitas portas se abriram, conheci muita gente incrível, fiz laços, aprendi muito e pude fazer a minha estrada musical”, revela.