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Livro traz biografia do Doutor Sócrates

Por Daniel Fernandes / Especial

12 de novembro de 2021

Segundo o biógrafo, Sócrates cresceu em uma família em que a educação era importante./ Foto: Reprodução.

Sócrates foi, nas palavras do jornalista Andrew Downie, um “fora de série dentro e fora do campo”. E ele está com toda a razão. Meio-campista de uma das melhores seleções do Brasil de todos os tempos, a que disputou o Mundial da Espanha em 1982, revelação do Botafogo de Ribeirão Preto campeão do primeiro turno do Paulista de 1977 – na época o Paulistão era mais importante do que o Brasileirão e a Libertadores juntos -, ícone do movimento conhecido como Democracia Corintiana, um dos símbolos da luta pela redemocratização do País na década de 1980.

É esse jogador, mas também o homem – gente como a gente, como descreve o irmão Raí no prefácio -, que o leitor vai encontrar em Doutor Sócrates – A Biografia, livro que a editora Grande Área acaba de lançar no País. Escrita por Downie primeiro em inglês e lançada em 2017, a obra ganhou traduções para o francês, italiano, polonês e turco antes de, enfim, ter uma versão em português.

Andrew passou dois anos trabalhando no livro. Só para Ribeirão Preto, cidade no interior do Estado em que o jogador viveu e deu seus primeiros passos futebolísticos, o jornalista escocês foi dez vezes. Pegava a estrada na quinta à noite ou sexta pela manhã, fazia entrevistas na própria sexta e no sábado e deixava a cidade no domingo à tarde. Andrew foi a Santos e ao Rio de Janeiro, mas também a Firenze, para reconstituir os vacilantes passos do meio-campista quando defendeu a Fiorentina da Itália. Isso sem contar as horas e mais horas de pesquisas em hemerotecas instaladas em bibliotecas aqui em São Paulo e em Ribeirão Preto.

O resultado é um livro de 432 páginas em que o futebolista e o homem são expostos com verdade objetiva, mas com admiração também.

“Nunca gostei de biografia chapa-branca. Nunca gostei porque ninguém é perfeito. Se não escrevesse toda a história (de Sócrates), para mim, seria traição ao leitor. Mas não dá para passar dois anos com essa pessoa (no sentido de pesquisar sobre a vida) sem gostar dela. Sócrates sabia onde errou. Mas a luta pela democracia foi mais importante que seus erros”, afirma Downie, em entrevista ao Estadão.

Nunca é demais lembrar. Na década de 1980 o movimento pelas Diretas-Já visava à aprovação de uma emenda constitucional no Congresso Nacional – emenda conhecida como Dante de Oliveira, nome do deputado federal que a propôs – que permitiria a votação direta para escolher o novo presidente da República, colocando fim ao golpe civil-militar de 1964 que suprimiu direitos individuais dos cidadãos, provocou perseguições e mortes de dissidentes políticos.

Participar desse momento, aliás, motivou o repórter a questionar o biógrafo: por que não há hoje jogadores como Sócrates? “Seria leviano dar os motivos”, afirma Downie. Mas o que vem a seguir, em sua resposta, funcionaria até como um pequeno manual para a atual geração de jogadores (ou melhor, de cidadãos brasileiros) de todas as idades.