12 de fevereiro de 2025
PARA O INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE), EXPLICAÇÃO PARA A DESACELERAÇÃO DO ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO (IPCA) É O BÔNUS ITAIPU, DESCONTO QUE MILHÕES DE BRASILEIROS TIVERAM NA CONTA DE LUZ DO MÊS PASSADO / Foto: Reprodução
BRASÍLIA – A inflação oficial de janeiro ficou em 0,16%, menor índice para o primeiro mês do ano desde 1994.
Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a explicação para a desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira, 11, é o Bônus Itaipu, desconto que milhões de brasileiros tiveram na conta de luz do mês passado.
Em dezembro de 2024, o IPCA tinha ficado em 0,52%. A desaceleração não significa que os preços ficaram mais baixos, e sim que, na média, subiram em menor velocidade.
Considerando qualquer mês, o resultado de janeiro é o menor desde agosto de 2024, quando houve inflação negativa de 0,2%. Em janeiro de 2024, o IPCA tinha marcado 0,42%. Agora, caiu para 0,16%.
No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 4,56%, acima da meta do governo. Em dezembro, o acumulado era de 4,83%.
A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%.
A partir deste ano, a perseguição da meta se dá em relação aos 12 meses imediatamente passados e não apenas no resultado final de dezembro. A meta só será considerada descumprida se estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.
Causa e efeito
O grande responsável pelo alívio da inflação veio do subitem energia elétrica residencial, que ficou 14,21% mais barata. Esse recuo representou impacto de 0,55 ponto percentual (p.p.) no resultado do mês. A redução é a menor desde fevereiro de 2013, quando tinha caído 15,17%.
Essa grande queda de janeiro foi causada pelo Bônus Itaipu, desconto que 78 milhões de consumidores perceberam na conta de luz.
Com a energia elétrica mais barata em janeiro, o grupo habitação recuou 3,08%, representando impacto de 0,46 p.p. no IPCA.
Transportes e alimentos
Na outra ponta da inflação, estão os preços dos alimentos e dos transportes, que pressionaram o índice para cima. Os transportes subiram 1,3%, um impacto de 0,27 p.p. Os vilões foram os preços das passagens aéreas, que aumentaram 10,42% e ônibus urbano (3,84%). As tarifas de ônibus tiveram reajustes em sete das 16 localidades pesquisadas pelo IBGE.
Os alimentos e bebidas tiveram alta de 0,96%, a quinta seguida. Esse grupo contribuiu com 0,21 p.p. do IPCA de janeiro. As maiores pressões entre os subitens alimentícios vieram do café moído (8,56% e impacto de 0,04 p.p.), tomate (20,27% e 0,04 p.p.) e cenoura (36,14% e 0,02 p.p.).
O preço do café, subitem alimentício que mais pressionou para cima a inflação, deve se manter em alta, de acordo com produtores.
Difusão
Em janeiro, o índice de difusão ficou em 65%, o que significa que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços. Em dezembro de 2024, o índice tinha sido de 69%.
O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. A coleta de preços é feita nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Apesar de o IPCA ser calculado desde 1980, o IBGE considera que a série histórica atual foi iniciada em 1994, uma vez que antes disso, a moeda era outra, o que atrapalharia comparações.
“Antes do Plano Real, havia outros planos econômicos, tinha hiperinflação, então a gente acaba colocando esse marco do Plano Real. Esse valor de janeiro é o menor da série histórica do índice”, explicou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.
Alimentos
Pressionados por restrição de oferta em algumas culturas, os alimentos voltaram a subir em janeiro, pelo quinto mês consecutivo.
As carnes, porém, sinalizaram uma trégua. Após meses de acentuado aumento nos preços, a alta em janeiro arrefeceu para 0,36%. Alguns cortes chegaram a ficar mais baratos, como patinho (-0,26%), acém (-1,45%) e costela (-0,11%).
“As chuvas vieram, começa a melhorar o pasto, isso tudo traz condições que podem beneficiar a produção”, disse Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.
Nos últimos quatro meses do ano passado, de setembro a dezembro, as subiram 23,88%, após quedas de preços no primeiro semestre de 2024.
O grupo Alimentação e bebidas registrou uma alta de 0,96% em janeiro. A alimentação para consumo no domicílio subiu 1,07%, influenciada pelas altas da cenoura (36,14%), tomate (20,27%) e café moído (8,56%).
Segundo Fernando Gonçalves, os preços dos alimentos ainda sobem por uma restrição de oferta. Há um impacto sazonal de condições meteorológicas sobre o desempenho de algumas lavouras, embora o clima esteja mais ameno nesta temporada em relação a anos anteriores. Em janeiro, houve reduções de preços na batata-inglesa (-9,12%) e no leite longa vida (-1,53%).
A alimentação fora do domicílio subiu 0,67% em janeiro: o lanche aumentou 0,94%, e a refeição avançou 0,58%.