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Nova alta da Selic não deve impactar otimismo do mercado imobiliário

28 de junho de 2021

Rodrigo Luna: tendência do mercado é a adaptação

Apesar do reajuste da Selic para 4,25% ao ano na última reunião do Copom (16/junho), o percentual ainda é baixo se comparado ao patamar de 14,25% — praticado entre 2015 e 2016 – e volta a registrar o mesmo índice de fevereiro de 2020, antes da pandemia.

“Esse aumento de juros é muito pequeno perto do que a gente tem como linhas do crédito imobiliário. E mesmo que no futuro tenhamos outros aumentos, ainda há espaço para se manter as linhas atuais”, avalia o vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi, Rodrigo Luna.

A alta coincide com o anúncio da Caixa Econômica Federal de que a concessão de crédito imobiliário cresceu 41,4% entre janeiro e maio deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Só nos 5 primeiros meses de 2021 foram R$ 52,4 bilhões concedidos, o que significa 240,6 mil novos contratos. A própria Caixa anunciou, em fevereiro, uma nova modalidade de financiamento corrigido pelo rendimento da poupança, mais uma taxa fixa que varia de 3,35% a 3,99% ao ano (a depender do perfil do cliente), mais a Taxa Referencial (TR) – que atualmente está zerada. A novidade está disponível desde março e a contratação da linha de crédito pode ser feita para compra de imóveis novos e usados, construção e reforma.

O lançamento provocou as instituições privadas a abrirem novas possibilidades também, popularizando ainda mais o financiamento imobiliário quando o mercado já estava aquecido pelos residenciais. O resultado veio rápido. Levantamento da proptech Homer, plataforma de soluções tecnológicas para corretores de imóveis, mostra que 46% dos profissionais fizeram novos negócios mesmo em meio à pandemia (entre março/2020 e março/2021). 63% deles notaram crescimento nas vendas. E as expectativas em relação às negociações até o final deste ano seguem positivas. A maior parte dos compradores, 52%, está disposta a investir de R$250 mil a R$600 mil na compra de um imóvel. 27% consideram pagar de R$600 mil a R$900 mil.

“Desde que a pandemia começou, vemos mais investidores comprando imóveis que não tem a ver com o seu próprio perfil de consumo, mas que estão adquirindo pensando na renda. Isso mostra que o mercado ainda está muito positivo e deve seguir assim no pós-pandemia também”, comenta Livia Rigueiral,

Cofundadora e CEO da Homer. Ainda segundo ela, mesmo para quem aluga o mercado tem garantido oportunidades, flexionando o reajuste para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em vez de usar o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que já acumula alta de 37% nos últimos 12 meses.

“É claro que o mercado imobiliário foi afetado pela pandemia. Tivemos perda de renda na sociedade brasileira, aumento do desemprego, grande número de atividades econômicas sofrendo muito. Em contrapartida, tivemos a requalificação da importância do imóvel na vida das pessoas, somada ao déficit habitacional crescente e ao crédito farto. Isso mostra que é um mercado pujante”, reflete Luna.

“E, hoje, uma família só tem a segurança estando na sua casa de forma protegida. Por isso tivemos um ano de crescimento, a despeito de toda dificuldade que estamos atravessando”, complementa.