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História ao vivo e o descontrole das redes sociais

Esdras Azarias de Campos

Nos tempos atuais nós temos o privilégio de podermos ao mesmo tempo participar e assistir os acontecimentos históricos ao vivo e em cores. Só para se ter uma ideia, até meados do século XX, os nossos antepassados recebiam notícias pelos jornais e por emissoras de radiodifusão, assim mesmo era para poucos privilegiados, uma vez que a população em sua maioria era composta de classes sociais de baixo nível aquisitivo. As gerações daquela época, hoje nas faixas entre os setenta e noventa anos se lembram muito bem como as notícias demoravam para serem veiculadas e eram espalhadas através do “boca a boca” em boatos e era assim que se formavam as opiniões. Os boatos, ao contrário das fake news dos tempos atuais, continham sempre um fundo de verdade. Com as entradas das tevês, computadores pessoais, a Internet, o celular e as redes sociais possibilitaram às camadas pobres conseguirem ter acessos a pelo menos a televisão e o celular.

Com um celular nas mãos o cidadão pode acessar notícias em tempo real de qualquer parte do mundo e pode também produzir e viralizar informações. É evidente que tudo que vem para o bem da humanidade acaba também por trazer efeitos colaterais negativos. A internet é um bom exemplo de como um meio tão eficiente de comunicação pode ao mesmo tempo ser benéfico e maléfico. O grande filólogo, filósofo e romancista italiano Umberto Eco prenunciou: “As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis. O drama da internet é que promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Nos últimos anos, as redes sociais emergiram como poderosas ferramentas de comunicação e influência, transformando profundamente o cenário político global. Plataformas digitais como Facebook, Twitter, Instagram e YouTube desempenham um papel crucial na disseminação de informações, na mobilização de eleitores e na formação de opiniões políticas. No entanto, essas transformações não estão isentas de desafios significativos, precisam ser cuidadosamente repensadas para proteger a integridade dos processos democráticos.

As plataformas digitais são propriedades privadas formadas por monopólios e oligopólios que possuem total controle sobre as operadoras e se intrometem no mundo todo ao desafiarem a soberania nacional de vários países em desrespeito as suas leis e regulamentações sobre o uso da internet. Recentemente aqui mesmo no Brasil tivemos o caso em que houve a necessidade do STF mover uma ação contra a rede social X (antigo Twitter), do empresário Elon Musk., por afronta a nossa soberania nacional. Aliás tal fato rendeu debates políticos entre deputados governistas e da oposição. Enquanto a oposição defende o empresário Elon Musk, os deputados da base governista classificaram a atitude do neofascista Musk como afronta à soberania nacional e defendem a votação do Projeto de Lei 2630/20, para regular as plataformas das redes sociais. Fonte: Agência Câmara de Notícias.

É a história viva acontecendo em tempo real. A história registrada no dia a dia, hora a hora pela imprensa em geral, caberá à historiografia registrar os fatos relevantes a serem narrados para a posteridade. E por definição “fato histórico” é único e não pode ser mudado. Uma vez registrado pode ser analisado e interpretado de conformidade com interesses políticos ou ideológicos, porém jamais mudados a não ser que apareçam novos documentos relacionados ao tal fato. Assim, enquanto vivenciamos a história fica difícil um consenso ou uma análise imparcial ou isenta devido a atividade política provocar processos emocionais conflitantes entre as diversas correntes político partidárias em constante emulação pelo poder. Nada melhor para exemplificar esta tese que o atual cenário político que vivenciamos desde 2019, o qual deverá passar para os anais da história como: “A democracia venceu mais um golpe de Estado”. De como os golpistas liderados pelo ex-presidente Bolsonaro que não aceitou a derrota na eleição de 2022, e de como os seus aliados ou seguidores fanatizados invadiram as sedes dos Três Poderes em 8.1.2023 com vandalismos com a intenção de provocar um golpe contra o presidente Lula legitimamente eleito. Vamos aguardar o desfecho dos processos e julgamentos dos golpistas e principalmente do ex-presidente Bolsonaro já na condição de réu para dobrar esta dramática página da nossa História. Mas, sem anistia!

Esdras Azarias de Campos é Professor de História.

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